Meiotom - poesia


 

 

floriano martins


 

INFINITO EM SILÊNCIO
 
 
Uma árvore tremeluz refugiada em sombras.
Corpo suando um mistério aplicado às veias
que se deslocam: vultos cujo eco de sílabas
invade a véspera de teus rumores, a sábia
precaução dos sentidos, edificando teu nome.
Para aqui viríamos, para o auge dessa pedra
com que ilustras as páginas de um sonho.
Uma árvore movente em aforismos dispostos
a alcançar a ribeira dos suspiros, os lábios
secretos do dilúvio, o disfarce de rastros
de que irrompe a flor de teus tornozelos.
Voragem de névoas a conservar em risco
a noite de úmidos espelhos de tua carne:
tumulto singelo o beijo com que me acolhes.
 
 
 

poema & imagem: floriano martins
julho de 2007