Meiotom - poesia


 

 

floriano martins


 

 
 

IMPROVISO AMOROSO

 

 

 

Meu ventre sabe murmurar-te: reflito teu nome

enquanto ele se espalha por mim inteira.

Não me deixas nada ali sem teu nome.

Imensidão desnuda ansiosa por ser violada:

quando sai pela noite se faz acompanhar

de um mar desterrado. Abandona o cativeiro

e afoga as cidades da terra até esquecer de si.

Antes que o dia recaia sobre sua nudez ele

se reconhece como único contato de meu ventre

com o mundo à sua volta. Teu nome ensaia

entre nuvens e dedos uma partitura de espantos.

É imenso o perigo de penetrá-lo assim, de um

acorde a outro. Há um grito alardeando as sombras.

Não sei por onde começo a esquecer teu nome.

 


poema & imagem: floriano martins
julho de 2007