Meiotom - poesia


 

 

floriano martins


 

NUDEZ RECONHECIDA
 
 
Há uma voragem imediata que nos enlaça,
lâmpadas criadas no mesmo olho do desejo.
Uma euforia da semelhança despindo-se
enquanto me beijas: revoada de espelhos,
letra revelando-se em pequenos caprichos.
Apanho a confissão de teus seios, a carícia
do céu esquecido na mesa da sala, um rosto
visível e outro extinto no encaixe de gozos.
Tu me beijas o pássaro, a pedra, o abandono.
Um frenesi sem fim palpita em teus braços.
Pernas se multiplicam em comovidas formas.
O dia reluta em guardar segredo: tu me amas:
nenhum perigo será mais grave: refúgio algum
terá sossego: nada mais nos escapa: nada:
 

poema & imagem: floriano martins
julho de 2007