SOLIDÃO ENTREABERTA
Rascunho o teu vulto
por dentro da noite.
Vozes cavadas no
fundo de um bosque,
ramos de fogo
desatados enquanto esperas
que árvores ressurjam
da memória vazia.
Queimo tuas sombras
sem que me toquem.
Há fulgores
desencontrados que confundem
os abismos de teu
ser, resumo de quedas,
pele rasgada,
fragmentos de fuga esquecidos
em meio às roupas em
desuso no armário.
Já não me escutas no
horror de teu silêncio.
Traduzes como minhas as cinzas de outro
amor.
Defendo-me dos braços
de teu incerto alvo.
Eu ainda te quero em
minhas ruínas soluçantes,
porém me escapas como
uma treva muda.
poema &
imagem: floriano martins
agosto de
2007