Meiotom - poesia


 

 

floriano martins

SOLIDÃO ENTREABERTA
 
 
Rascunho o teu vulto por dentro da noite.
Vozes cavadas no fundo de um bosque,
ramos de fogo desatados enquanto esperas
que árvores ressurjam da memória vazia.
Queimo tuas sombras sem que me toquem.
Há fulgores desencontrados que confundem
os abismos de teu ser, resumo de quedas,
pele rasgada, fragmentos de fuga esquecidos
em meio às roupas em desuso no armário.
Já não me escutas no horror de teu silêncio.
Traduzes como minhas as cinzas de outro amor.
Defendo-me dos braços de teu incerto alvo.
Eu ainda te quero em minhas ruínas soluçantes,
porém me escapas como uma treva muda.
 

poema & imagem: floriano martins
agosto de 2007