Meiotom - Crônicas


 

amizade

pedro franco

 

Há amigos novos, para recebrem as crônicas mensais. Há amigos em fases de perdas e perdas tristes. Quase os tirei da lista neste mês, mas como a pseudo crônica é sobre a amizade, deixei-os. Pois são amigos. Pedro Franco.
 
                                              Amizade
 
       Confunde-se amor com luxúria, sexo e mesmo paixão. Da mesma forma amigo é confundido com conhecido, relação cotidiana e colegas. Na juventude, em relação à amizade, pode-se buscar uma frase de Oscar Wilde para definir estas diferenças: "a madureza agradece à juventude o brilho de sua inexperiência." Parece-me que os velhos sabem melhor conhecer seus amigos. Chamo de pseudo-amigos os das festas, dos risos, dos bons momentos, dos tempos de vacas gordas. Se as vacas emagrecem, nas doenças e tristezas, fogem e como! E com um elenco de desculpas de fazer inveja, principalmente se os reais voltam ao abandonado. E se iniciei falando em amor, vejo a amizade verdadeira, fraterna, na alegria e na dor, como sentimento tão importante, quanto o amor e sem certos percalços deste, que é mais avaro, egoísta e egocêntrico. Outros sentimentos podem debilitá-lo, ou enfraquecê-lo. Amor necessita de mais encontros, palavras, palavras e sonhos. O amor é falante a dois, a amizade pode conviver em silêncio, cada um em sua cadeira e com suas conjecturas, compartilhando silêncios. Amor tem sua faceta física, já que os verdadeiros platônicos são raríssimos. A amizade é menos formal, mais explicável, vive muito de afinidades, ou dos antigamentes. E a verdadeira amizade não tem preço. Amigo dá ombro, orelha, coração e abraço, mesmo que esteja longe. Compartilha, pois distâncias não são obstáculos para amizades. Quantos conhecimentos fazemos na vida? Muitos e muitos têm legiões de conhecidos. E amigos e amores? Poucos, pouquíssimos. E quem escreve sobre amizade tem uma vontade imensa e esferográfica, ou digital, de citar Milton Nascimento e Fernando Brant, quando cantaram que o "amigo é coisa p´ra se guardar do lado esquerdo do peito", por mais que a vontade de ir à originalidade condene o canto. Mas não vou fugir dele, para tentar ser diferente, pois os autores foram felizes, muito felizes, sábios, na letra e na música. Amizade, amigo, é de fato para se guardar, acalentar, com rezas e ações, fincados onde moram nossos sentimentos mais nobres, honestos e éticos. Obrigado amigo. Fique comigo. Fico com você. Sempre.