| Meiotom - Contos |
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Pedro Franco |
Pedro
Nem sei o nome dos meus personagens. Um homem, uma criança e um ursinho
de pelúcia. Eu parei meu automóvel no sinal e atravessaram na frente meus três
personagens, os dois no colo do pai, que os pousou no chão, ao chegarem à outra
calçada. _ Me dê a mão. Pediu o pai. _ Dá a mão a ele. Disse a menina, que devia
ter seus quatro anos. E lá se foram o homem alto, segurando sem jeito o braço do
ursinho, o ursinho e a menina com o outro braço do ursinho. Aquele ursinho era
alguém para a menina, que ia provavelmente para a escola, ou para uma creche, já
que não vi pasta, ou mochila. O que sei eu deles? Nada. Mas sei que cada criança
tem seu mundo de fantasia e encantamento, criado muitas vezes para encobrir, ou
melhorar, o mundo em que vive. Um mundo que os adultos na maioria das vezes não
entendem, ou pior, atropelam e atrapalham. E vou falar nos descasamentos onde há
filhos. A criança tinha uma casa, um mundo aparentemente seguro, com pai e mãe e
que de repente acaba, muitas vezes com tumulto. Desencadeiam uma guerra e a
criança é levada a participar. Esta triste ocorrência ocorre na época de
formação, onde a vida devia ser risonha e franca. Cedo enfrenta problemas para
os quais não está preparada, para aceitar, ou ao menos entender. Há casais que
colocam a criança na luta, fazendo-a participar daquele processo, do novo
casamento, das novas relações e relacionamentos, sem os cuidados devidos e sem
entender que, de uma forma ou outra, o mundo daquela criança foi quebrado. Não,
não sou daqueles que julgam que o casamento deve ser indissolúvel. Seja eterno
enquanto dure, como pensava o poeta, mas que, se não durar, respeite-se ao
máximo os sentimentos, as fantasias, a saúde mental da criança e em todas as
situações. E não se julgue que com bens materiais e cursos, substitui-se um lar.
E antes de terem filhos os futuros pais devem ter o casamento como um
acontecimento estável, não um impulso fugaz. Se contarem com a possibilidade de
descasamento, esperem e não tenham filhos. Filhos não seguram casamentos. Um
casamento é um ato, ter um filho é um ato muito mais importante. Se em última
instância a separação se impuser e há filhos, que o rompimento seja realizado
sem a participação ativa da criança, que não sabe dividir lealdade. Uma criança
é uma enorme responsabilidade por toda a vida para os pais e que merece os
maiores esforços de toda uma família, em qualquer circunstância. Males
infligidos nos primeiros anos são muitas vezes irrecuperáveis. Criam-se
cicatrizes perante toda a vida daquele ser, que foi gerado por alguém, que o
feriu muito, às vezes sem ao menos perceber, por estouvamento, desatenção,
irreflexão, ou mesmo desamor. Cuidado, pais, avós, tios, padrinhos, amigos! No
descasamento e mesmo no casamento o principal, o essencial, é a criança, seu
mundo e suas emoções. Se há uma ruptura, que seja o menos traumática possível.
Por que me vieram estas idéias, quando passaram a criança, o ursinho e o homem?
Porque vi o homem e principalmente a criança com fisionomias tristes,
especialmente quando ela disse: _ Dá a mão a ele.
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