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“Quem sabe....
Pedro Franco.
O mal que se esconde nos corações humanos?”E o programa radiofônico respondia em voz soturna: “O Sombra sabe.” Se as frases não eram assim, eram parecidas. Mas ainda que a frase bombástica pudesse estar certa e o Sombra fosse o cara, parece-me que mais atual é perguntar: Quem sabe o mal que se esconde no dia a dia de uma família? Principalmente em relação às crianças. Ninguém pediu para nascer... E daí? “Quem pariu Mateus, que o embale”. Bíblia, não descobri o versículo. Mas também é que o cuide, ao invés de embale. E estão cuidando mal. Lembro-me no caso do famigerado Regulador Xavier, o amigo número um da mulher; número um excesso, número dois escassez. E estão usando mais o número dois, escassez de cuidados. Vamos ao número um. Não há regras para os a educar. Os pais têm muito amor, pouco tempo, grassam remorsos e podem os rebentos tudo arrebentar, física e moralmente. E se não há regras em casa, que seriam impostas com carinho e explicações; a vida lá fora ensina mal e na porrada. E saem os meninos e meninas, com a evolução involuída pela internet (já pensou, entre outras divagações, em entrar em sites pornô, mesmo antes de começar a vida sexual normal – o que fica sendo normal?), achando que pode tudo, lá em casa era assim e vamos nós para uma vida egoísta e desequilibrada. Pior é quando precisariam tomar o Regulador Xavier (acho que não funcionava nem o um, nem o dois e era folclore para regular menstruações) número dois, para a falta de amor, paciência, tempo, interesse, condição emocional, briga entre os pais, abusos sexuais, castigos estúpidos, agressões, exemplos deletérios e paro com a lista para não me debulhar em lágrimas de esguicho (Nelson /Rodrigues) e aflição. Enfim desamor para o nascente. E às vezes juntam escassez de interesse e falta de tempo e dinheiro. O que é pior, escassez de paternidade, ou carências de dizer não? Sem dúvida o desamor, que é pior que o amor mal direcionado, mas de toda a forma o filho (a) vai padecer da falta de estrutura emocional dos pais, mesmo se as intenções forem ótimas. E este pretenso eu sei tudo sabe educar e não sabe, mas ousa recomendar equilíbrio, tempo, muita paciência, amor, ternura (já dizia um que mandava divergentes para o “paredón”, que havia que endurecer, mas sem perder a ternura – os projéteis seriam amenos?) e sem estereotipias. E de onde vem essa estereotipia agora. O casal tem três filhos e estabelece uma regra fixa para educar. Não precisa do Regulador Xavier, mas regra a educação igualmente para os três e nem sempre a boa educação para A, ainda que muito bem intencionada, é adaptável a B e muito menos a C. Educar é fácil? Uma vez um presidente do Brasil, que podia ter feito muito mais, não fora ser tão vaidoso, disse que governar o Brasil era fácil. Fiquei desesperado, pois não pensava como Mussolini, que era impossível governar a Itália, ainda mais para ele que era nazista, ou sei lá o que era, mas deve ser muito difícil e só mesmo fingindo, gozando a vida e vedando os olhos ao errado, com foi feito depois, pode-se julgar que governou um país, como o Brasil, é fácil. Mas vou descambar das crianças nos lares (escola ajuda, completa, mas não substitui lar) para as politiquices eleitoreiras e lançar-me candidato a vereador? Não, mil vezes não. Quis apenas dizer que educar uma criança, ou duas, ou três, ou muitas, como porfiam professores, é muito difícil, como é difícil governar um País. Voltando aos futuros alunos, como chegam às escolas crianças mal educadas e a família não tomou qualquer regulador. Dizem-me isto os professores educadores. E não falei das crianças que vêm de lares desfeitos e os adultos envolvidos não tiveram o cuidado de protegê-las dos embates das separações e, ao contrário, tentam fazê-las tomar partido e crianças não sabem dividir lealdades. Nem vou tocar no triste assunto crianças-de-rua! Se algum pai, ou mãe, ou avó, ou responsável, tirar alguma reflexão produtiva desta desesperada arenga, as palavras não foram digitadas em vão, ainda mais porque não apontaram soluções, apenas com sinceridade procuraram mostrar um problema, que pode tornar-se catastrófico, se para a criança houver desamor, ou mesmo amor desencaminhado. |