|
Grandes duetos e a vida de
cada um
Pedro Franco. Duetos musicais sempre existiram, mas no momento estão “bombando”. Bombando é tolo neologismo que serve para tudo, para o bem e para o mal e até para o mais ou menos. Mas há duetos fantásticos no passado e começo com Nat King Cole e Natalie Cole, cantando em tempos diferentes, mas no disco mixado parecendo que pai e filha cantam juntos “Unforgettable” (Irving Gordon). O disco foi muito tocado e de fato é emocionante. Há duetos nacionais marcantes e excelentes e cito de saída dois de meu cantor nacional predileto e que não teve o sucesso merecido. Dick Farney, que se chamava na certidão de nascimento Farnézio Dutra. Como poderia ter feito carreira como Farnézio? Era irmão do galã do cinema nacional Cyl Farney, de batismo Cileno! O primeiro dueto que cito foi com o precursor da bossa nova Lúcio Alves, em “Teresa da Praia”, de Tom Jobim e Billy Blanco. Teresa, na voz de Lúcio Alves, tinha “uma “piiiinta” do lado” e uma pergunta “no inverno se “esqueeentou” com quem?”, caco muito bem vindo à letra original. Diria que esse é um dueto tipicamente carioca e recebam o adjetivo como altamente de louvor, ainda que a “carioquice” tenha mudado muito e não para melhor. Por curiosidade vale lembrar que Roberto Carlos e Caetano Veloso também cantaram, entre outros, “Teresa da Praia”. O outro dueto memorável de Dick Farney e seu maravilhoso piano é “Você”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bóscoli, que já tinham assinado “O Barquinho”. “Você” é cantada com Norma Bengell e com muito charme. De acordo com a beleza de uma das mulheres mais lindas e sensuais do País à época da gravação. Agora! Deixa para lá. Há um vochêêêê de ótima sensualidade não vulgar nesta música. Miele em um de seus hilariantes shows conta que quando ele e Ronaldo Bóscoli precisavam de alguma música, para cobrir um espaço em espetáculo que dirigiam, escolhiam “Você” e cita com verve duplas de intérpretes e outras improváveis, como Benedita e César Maia, Clementina de Jesus e o resto dos escalados não mais se ouvia, pois as gargalhadas abafavam a voz do homem show. Mas vale ouvir Dick Farney e Norminha “Meubenguel” (título de Sérgio Porto?), pois a gravação é plena de ritmo e bom humor. Dick Farney depois gravou “Você” com Claudete Soares, mas, sem demérito para a cantora, prefiro a música com Norma Bengell. Já houve dueto entre Nara Leão e Chico Buarque, o melhor compositor brasileiro ao gosto de quem digita (não o romancista). Cauby Peixoto (que voz mal aproveitada!) e Ângela Maria entre os duetos dos dois prefiro o que fizeram no “Onde anda você” de Toquinho, Vinicius de Moraes e Hermano Silva. Nara Leão e Chico Buarque em “Dueto”, do próprio Chico e com letra de inteligência impar, pouco tocada, pois o que nos impingem as rádios é de chorar. A Divina Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro em “Tem que rebolar”, de José Batista e Magno Oliveira foram ótimos e sem esquecer Elis Regina e Tom Jobim na excelente “Águas de Março” do maestro e Dorival Caymmi e Nana Caymmi no inspirado “Acalanto” do mestre baiano. E se fosse escolher apenas quatro, ficaria com os dois de Dick Farney, Elis com Tom e Nara e Chico. E quem estiver lendo, se gostar de música, vai lembrar-se de outros duetos e apenas para exemplo internacional cito Frank Sinatra e a filha Nancy Sinatra em “Somethin´ Stupid” (C. Carson Parks). Mas dueto espetacular, não musical, mas nem por esta razão menos importante, fazem mulher e homem, quando se amam, respeitam-se e vivem vida a dois durante a existência, que para os dois parece iniciar-se apenas quando se conheceram. E persistem sem desafinar na ética, ou moral e em vice-versa. Ficam enfeitiçados em momentos de enlevo, como se estivessem sós no mundo e pairassem acima do bem e do mal.... Grande dueto de amor, particular, glorioso e em todos os sentidos. |