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Formas
de Comandar
Pedro Franco. Li hoje um comentário esportivo que pode ser extrapolado. Creio ser o esporte uma fonte permanente de educação e elucubrações. Uma jogadora de vôlei do Flamengo, americana do Norte de nascimento, Tara Cross, que já jogou na seleção do seu país e vai ser assistente técnica da mesma, quando acabar nosso campeonato nacional de vôlei, disse em entrevista ao “O Globo” (03/04/2001) que passou a olhar os jogos por outro ângulo, quando foi convidada para assumir novas funções. E comentou ainda que não gostaria de jogar com treinadores que brigam, tipo Nikolai Karpol da Rússia, ou Bernardinho. Bernardinho no momento é técnico da Rexona feminina e vai ser o treinador da seleção brasileira masculina de vôlei. Só não comparo Bernardinho a Karpol, pois o técnico da Rússia é muito mais agressivo, faltando pouco para bater em suas jogadoras, ainda que o nosso técnico também fique destemperado, com um olhar alucinado e sem contenção verbal. E digo que os acontecimentos esportivos podem extrapolar, pois a condução de uma equipe, seja qual for sua área de atuação, deve ser primeiramente educada. É possível que determinados indivíduos atuem melhor sob a agressividade do superior, mas não acredito que seja esta a conduta recomendada para a maioria. Da mesma forma creio que as crianças reajam melhor à educação persuasiva da conversa, do exemplo, do que a castigos rudes, físicos ou verbais. Voltando ao esporte, muitas vezes vi a linda jogadora, Gratchenka, se não me falha a memória, levantadora da seleção da Rússia, ser arrasada, humilhada, pelo Sr. Nikolai que não tinha gostado de suas jogadas. Percebia-se que a moça ficava inteiramente sem jeito, mas continuava levantando sem a espontaneidade anterior, pois as recomendações técnicas tinham sido feitas de modo impróprio perante um estádio cheio e câmeras de televisão. Parecia-me ver os lindos olhos verdes da moça úmidos pela decepção. Da mesma forma determinados chefes comandam, sem preocuparem-se com a sensibilidade alheia, maltratando os subordinados na frente de colegas e às vezes de inferiores hierarquicamente no serviço. Mesmo quando há razão para uma conversa mais inflamada, onde determinadas verdades devem ser ditas, estas reprimendas devem ser feitas em separado, mostrando razões e conceitos, mas sem agredir, ou degradar o comandado. Parece que Che Guevara dizia que era necessário endurecer, mas sem perder a ternura, ainda que na maioria das ditaduras o endurecimento seja um eufemismo para encobrir torturas e desmandos. E não quero recorrer à política, pois ética, bons modos e contenção verbal não aparecem na maioria dos pronunciamentos importantes de deputados e senadores nos dias atuais. Mas pode-se sair do esporte para chegar à vida comum de cada dia, onde a maioria tem superiores e inferiores, onde há professores e alunos, pais e filhos, chefes e chefiados e parece-me que gritos, ofensas, humilhações, castigos despropositados, agressões mesmo verbais funcionam pouco e mesmo podem agir em sentido contrário ao desejado. Diz a jogadora Tara Cross, na plena beleza de sua negritude, que com ela vai ser sempre por favor. Não chego a tanto e até no esporte entendo uma determinação apresentada de uma forma mais enérgica, mas sem perder o respeito humano ao jogador e ao público. Apenas para mexer com o brio e a vontade de vencer do jogador deve funcionar à admoestação. Agir da forma Karpol, em qualquer campo da atividade humana, não é aconselhável, ou mesmo produtivo. *Crônica antiga, de 2001 e ontem, 28/01/2012, vi na TV Globo o vitorioso técnico Bernardinho xingar a melhor jogadora brasileira Sheila de fdp (se não ponho a sigla, perde força a reclamação) e aos berros. E o repertório do técnico foi completo e com os palavrões mais cabeludos da Língua. E o seu UNILEVER venceu. Imagine se perde! Algumas moças comemoram os pontos também com palavrões, inteiramente audíveis. Não me considero moralista, defendo que a melhor maneira de diminuir a dor de topada é soltar baixo um palavrão. Tenho peça teatral premiada com termos chulos, mas não gosto de ser agredido da poltrona com palavrões. O vôlei brasileiro é espetacular. A educação dos participantes está deixando a desejar e o Sr. Bernardinho dá péssimo exemplo educacional com seu desvairado comportamento. |