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Mãe e
filha
Pedro
Franco
Encontrei
a amiga
desesperada.
Mãe de
dois
filhos,
um
menino
que lhe
deu
muitos
cuidados
e a
menina.
Ainda
que
filhos
sejam
muito
chegados
às mães
e não me
venham,
por
favor,
com
explicações
freudianas,
que até
podem
ser
verdadeiras,
mas
tiram
encantos
e a vida
merece
todos os
encantos
imagináveis
e até
quiméricos.
Mas
neste
caso a
mãe e a
filha
eram
exemplos
de
ligações
completas.
Corda e
caçamba
e unidas
em tudo.
Infância,
adolescência,
camaradagem,
afinidades
e até
semelhanças
físicas.
Era
prazer
para
todos,
os que
com elas
conviviam
mais de
perto,
ver
aquele
amor/fraternidade
no mais
puro
nível em
todas as
atividades.
Não só a
mãe
acompanhava
a filha
nas suas
funções
de
adolescência,
escolares
e extra
escolares
e como
as há,
prejudicando
inclusive
a
meninice,
pois se
perde
tempos
de
brincar
despreocupadas.
Mas a
filha
até à
época de
menina
moça
estava
com a
mãe em
todas
suas
atividades
profissionais
e não
profissionais.
Um belo
grude.
E eis
que a
vida
dá-lhes
um
tranco.
Aos
dezoito
da filha
aparece-lhe
um
namorado,
com
trinta
anos,
desquitado,
vivido,
sedutor,
maneirismos
espertos
e
persistentes
em todos
os
sentidos.
Os
antigos
diriam,
que
astucioso,
comia
pelas
beiradas.
E não
levem
esta
linha
anterior
para
conotações
sexuais,
pois
minha
amiga
procura
ser
evoluída
e
aceitar
modernidades
até mais
que eu.
Pessoas
de
gerações
anteriores,
que não
tenham
compromissos
com bom
mocismo
permanente
e
irracional,
procuram,
dentro
de
limites,
aceitar
novos
conceitos,
muitos
imprescindíveis.
Mas
confesso
que é
arte
difícil.
Enfim, o
timão da
filha da
amiga,
no seu
modo de
ver,
devia
sair das
suas
mãos
para as
da
filha.
Mas saiu
do seu
sadio e
maternal
controle
para o
do
namorado,
que nem
sempre
aponta
para
caminhos
mais
justos e
corretos.
Ouvi
suas
pertinentes
queixas.
Os novos
conflitos,
as
diferenças
ocorridas
naquela
antes
plácida
relação.
Perguntou-me
que
achava.
Embatuquei.
Ir
contra a
paixão
da
filha,
dar
murro em
faca de
ponta?
Omitir-se
completamente
e não
procurar
abrir-lhe
os
olhos?
Ficar em
difícil
meio
termo,
pareceu-me
prudente.
O tempo
pode ser
ótimo
aliado,
quando
há
paciência,
experiência
e,
sobretudo,
amor,
que no
caso
ocorre
indubitavelmente
e de
forma
bilateral.
Abrir um
tempo de
espera e
aceitar
que os
amuos
sejam
passageiros,
pois a
vida é
longa.
Espera-se
que amor
de
antanho
favoreça
o futuro
entendimento
e que
tudo
volte
como
dantes
no
quartel
de
Abrantes.
Esta
volta
pode ser
alvissareira
e,
pensando
nela,
sugeri
uma
fraternal
trégua
e, acima
de todos
os
problemas
atuais,
confiar
na boa
índole
da filha
e no
amor,
que
sempre
as
uniu.
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