Paris:
uma
esperança.
Pedro
Franco.
Já
escrevi
sobre
Paris
e
nunca
lá
estive.
Não
entro
mais
em
avião,
ainda
que
já
tenha
entrado.
Se
ainda
eles
ficassem
“taxiando”...
Mas
voam
e
são
mais
pesados
que
o
ar.
Mas
este
é
problema
absolutamente
pessoal
e
fica
de
lado.
Voltando
ao
tema,
sempre
declarei
meu
amor
por
Paris.
Muitos
se
apaixonam
perdidamente
por
uma
mulher
durante
uma
vida
inteira
e
ela
nem
sabe,
pior
sabe
e
não
liga.
Mas
nem
assim
o
amor
acaba,
talvez
até
cresça
em
função
do
sonho,
da
utopia.
Mas
Edmund
White
escreveu
um
livro
sobre
Paris,
editado
pela
Bloomsbury.
Nesta
série
cada
escritor
escolhe
uma
cidade,
que
conheça
bem
e
escreve
sobre
ela.
Deste
livro
pode
ser
extraído
o
seguinte
trecho:
“um
lugar
onde
o
principal
estado
de
espírito
é a
melancolia,
mesmo
estando
convencido
de
que
a
felicidade
mora
na
próxima
esquina”.
Que
conta
o
resto
do
livro?
Não
sei.
Em
crônica
séria,
ainda
que
não
pretenda
ser
sisuda,
embustes
não
devem
ser
aceitos.
Transcrevi
o
“aspeado”
do
Informe
do
JB
Idéias,
coluna
assinada
por
Cristiane
Costa
e
Leneide
Duarte,
de
17
de
março
de
2001.
Mas
as
poucas
linhas
remeteram-me
a
Paris
de
novo
e a
impressão
que
imaginava
ter
da
cidade,
se
lá
fosse,
não
bateria
com
a
sensação
do
escritor.
Minhas
visionárias
idéias
eram
muito
românticas
e
alegres.
Tiraria
a
mega
sena,
levaria
ela
e
toda
a
família
e
não
precisaria
pensar
na
viagem
de
volta.
Seria
então
parisiense,
ainda
que
fosse
sentir
saudades
do
Rio.
Viveria
na
cidade
que
transpirara
amor
e
inteligência,
cultura
e
refinamento,
absinto
e
Charles
Trenet,
Inspector
Maigret
e La
Adjani,
placidez
e
paz.
Não
melancolia.
E
uma
espera
de
uma
felicidade
nunca
atingida.
Mas
o
escritor
lá
viveu,
não
eu.
Às
vezes
a
linda
mulher
tem
mau
hálito,
diz
palavrões
vulgares
e
ronca.
Tive
um
colega
que
se
apaixonou
por
uma
balconista
de
um
pequeno
bar,
que
havia
no
centro
do
Rio
na
galeria
do
Edifício
Darke.
Passávamos
por
lá
diariamente,
na
hora
do
almoço
e a
moça,
muito
bonita
por
sinal,
lá
estava
servindo
no
cheio
balcão.
Este
amigo
era
tímido.
Olhava-a,
mas
nem
parávamos
para
o
café,
pois
o
balcão
estava
repleto
e já
tomáramos
o
café
de
final
de
refeição
no
restaurante.
E a
paixão
foi
crescendo.
O
colega
fazia
planos,
era
de
família
de
posses,
a
mãe,
mulher
tradicional,
como
receberia
uma
balconista?
O
pai,
disse-me,
era
mais
liberal,
mas
a
mãe
e a
tia
tinham
que
ser
dobradas
por
seu
amor.
O
colega
era
chegado
a
Musset
e só
faltou
ficar
tísico
para
iniciar
a
conquista.
Cansava-me
de
tanto
falar
na
moça
e
idealizá-la.
E
eis
que
em
uma
volta
de
almoço
o
balcão
estava
vazio.
Puxa-me
pela
manga
do
casaco,
segreda-me
um é
hoje
e
nos
projetamos
no
balcão.
Deixo-lhe
a
iniciativa,
mas
está
tão
nervoso
que
faz
um
gesto
de
dois
com
os
dedos.
E em
voz
tola
e
fanhosa
a
linda
moça
diz
para
o
caixa:
_
Dois
“cafeses”!
Eu
ainda
tomei
todo
o
meu
café,
mas
meu
amigo
nem
isto
fez.
Saiu
dali
e
deixou-nos
espantados,
eu
pagando
os
dois
“cafeses”
e a
moça
olhando
a
xícara
cheia
e
balançando
os
ombros,
perguntou:
_
Que
deu
nele?
Respondi
um
não
sei
e,
ao
chegar
à
seção,
o
colega
puxou-me
para
um
canto
e
avisou-me:
_
Nunca
mais
me
fale
nela.
Portanto
concluí
que
não
há
paixão
que
resista
a
dois
“cafeses”.
Será
que
metaforicamente
Paris
responderia
dois
“cafeses”?
Quem
sabe?
Que
fiquem
certas
paixões
quiméricas,
idealizadas
apenas?
Não,
ainda
tenho
fundadas
esperanças.
Decepções
temos
com
pessoas,
livros,
alguns
ao
serem
relidos,
com
amores
retomados
e
possivelmente
até
com
cidades.
Que
não
seja
decepção
com
a
vida
em
seu
todo,
já é
uma
saudável
esperança.
Mas
ah,
um
dia,
uma
noite...
Paris,
navegando
pelo
Sena,
passando
diante
da
RFI,
vendo
a
Notre
Dame,
a
Tour
Eifell,
ao
som
de
“Sous
le
ciel
de
Paris”,
na
voz
da
Piaf
e de
mãos
dadas
com
ela,
depois
dançando
e
absorvendo
o
clima
amoroso
da
cidade.
(Crônica
premiada
no
concurso
da
Editora
da
Universidade
Federal
Fluminense
para
sair
na
antologia
que
homenageia
a
França
no
ano
Brasil-França,
2009).