Meiotom - resenhas


 

glauber por carlos pessoa rosa

 

SE TRANSGREDIR, MORRE...

(Glauber: impressões debruçadas no inteligível)

Enquanto expressão do reprimido, do esquecido, do negado, Glauber é sujeito-objeto-sensível.

Diante de péssima repercussão de seu filme em Veneza afirma à atriz preocupada, Eu sei o que estou fazendo...

É esse eu volumoso, voluptuoso, barroco em sua essência, que sabe,

Sei que sou imagem-sensível, película fotográfica, o próprio objeto da arte, se há conceito, é esse, ofereço meu corpo para ser dissecado em laboratório, como sujeito-objeto-sensível, em eterno movimento, conceito-intuição ou intuição-conceito que escoa em rizomas e brotamentos, sendo a dramaticidade a razão do ser.

É esse eu em dobraduras, esquecimentos e dramaturgias que sabe,

Sou o que vem antes da linguagem, arte-vida, enquanto mentira da arte, autor, represento a partir da realidade, enquanto sujeito-objeto da arte, transgrido, sou agrimensor do caos que me abate e repercute nos sentidos, penetra afiado como espada: a fome, a miséria, as injustiças, as mortes...

Uma última homenagem a Glauber tinha ares de vitória, quem morreu foi a Utopia, nós continuamos vivos, somos os vencedores. Como disse aquele que Glauber chamava de mestre, Glauber era essa coisa de Utopia misturado com Otário, Glauber morreu, o Otário levou-o à morte, o sujeito-objeto-sensível que incomodava morreu, cadáver de rosto tranqüilo, alma sem corpo, mergulhado em esquecimentos, e em último movimento transgressor: Se amigos houve, foi pela utopia, não pelo Glauber... Todo transgressor é otário e morre antes da hora... Assim caminham os sobreviventes na pós-modernidade. Mas Glauber sabia, A morte da arte é a arte mesma.