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bruno grossi |
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Bruno Grossi
Bruno
Grossi nasceu
Começou
escrevendo, desenhando e lendo
O
Na
Nesse
A intratextualidade é também um aspecto de seu conto que merece
destaque. Quando fazemos referências aos nossos próprios textos criamos um tipo
especial de intertextualidade: a intratextualidade. No seu caso, só podia acabar
mesmo em lirismo...
Elaine Moraes.
Da
consciência à traumatização (Bruno
Grossi)
Teus olhos despertaram
Ao nebuloso
anoitecer
E por um instante
Seu corpo ali não estava
Pensou em Deus,
pensou no Diabo
Até se deparar
Com o seu próprio pensamento, seu próprio
ser
Ficou assustado, atônito, desfacelado
Não sabia como poderia ser
assim...
Tão indeciso, tão atormentado
Por quem?
Não há importância
Pois o tormento o persegue desde sempre
Desistiu
então de pensar no quão difícil
Era evitar suas visões e audições
Resolveu
se contemplar
Com o que tinham lhe destinado
E então disse:
- Me
suicidaram. Suicidaram-me para
um mundo diferente
no qual não se
morre
apenas aperfeiçoa-se
a lunática mentalidade
Ao cair em sua própria razão
Percebe que é
apenas um simples
Ser que pensa e reflete sobre os
Seus próprios insanos
e lógicos
Pensamentos psicotraumáticos
De suma importância
Um ser
natural que declara em
Sábias palavras o seu ardor...
“As vezes eu
choro
Choro por nada
Choro por tudo
Pareço sentir o sofrimento
O
sofrimento do mundo
De uma criança sem estudo
De uma criança
intelectual
Pareço sair do corpo
Um corpo ativo
Um corpo parado
A
alma do vivo
De um corpo deitado”
A
sombra me persegue
Sob
a névoa
Não
consigo me mover
Sou
incompreendido
Preso
em um muro
Ou
em meu próprio pensamento
Meus
olhos já não fixam em algum lugar
Como
a lua pára pra te olhar
Estes
vilipendiados olhos
Doem,
choram e imploram
Para
que fiquem só
Não
consigo me livrar
Do
infortúnio calar
Sinto
pessoas a me olhar
Como
um animal devora
A
sua insípida carniça
Creio
que irão matar-me
Sinto-me
desprotegido, frágil, inútil
Sinto-me
sem amor, sem dor e sem desejo
Já
não sei o que fazer
Procuro
a solidão
Para
que minha trágica energia
Não
contagie as pessoas
Para
que meu olhar
Não
cruze com os demais
Assim
terei meus próprios sentimentos
Meu
próprio coração
Que
a cada despertar
Encontra
o silêncio
Estou
surdo e cego
Estou
inválido
Me
submeto ao inoportuno desespero
Ao
incômodo calar
Viver
agora dói
Não
mais a quero
Na magnificência da tristeza
Um ardor latente em seu
peito
No ressonar da madrugada
Amargura o teu
ser
Saudosa malevolência
No arrepender dos olhos
Lacrimejados de
rancor
O consome, o maltrata
Não perdoa sequer
Um momento infame
Do
teu ardoroso coração
O ecoar da noite
A destreza do olhar
As mãos cálidas sobre a
mesa
e um ladino pensar
O vilipendiado amor
Um varão
massacrado
Enveredando ao inconsciente
Pela vontade imprópria
A vela, o
fogo
O mórbido calejar
das almas que
não param de
chorar
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