Meiotom - poesia


 

 

guto cavalcanti

Digo

 O inicio é a reza e o término, o pedido.

 

E o fato d’elipse; do mito; da boca, d’eu ainda nao saber

A escolha dos significantes delimitantes para os nomes do segundo verso

Nao atrapalha o fato que eu saiba: isso tem à ver com seu jeito casual de bater no meu sonho.

 

Casual feito seu jeans, tenis nike, cor de olhos claros que vestia antes de ontém.

 

4 de janeiro num restaurante na Suiça italiana. Convida-me com um reto olhar direto de canto. Chamo-ti para o espaço da folha sem tinta. E graças a sua graça secreta em minha direçao, estamos bem a fim de colorir.

 

Voce abriu, eu fecho.

 

Eu quero dançar.

Nao tem nada com escrita quando na verdade o que me narra é a voz.

Eu so quero dançar.

Feito neve que seduz dançando à luz do poste vista pela janela do apartamento de Milao na madrugada àpos dois cigarros.

 

Danço as palavras porque ainda nao dancei seu corpo no meu làbio.

 

Faço.

Voce soube que eu faria à partir do momento que voce me viu entrar.

 

Nao fariamos à mesa ao lado dos seus pais que comem e conversam pedindo o café.

Mas à mesa ao lado do vinho que bebo grita. Lado à lado o tom loiro vermelho claro do seu cabelo se junta ao tom da minha boca soando a frase sobre seu olho cor azul claro e tà!

Voce soube no momento que me viu passar.

 

Voce olhou, eu caço.

 

Como chama-s’esse tempo em que as coisas ainda nao sao jà sendo?

Aquilo que liga o que é com o que liga ao que possa?

Como chama-se voce?

Vamos dançar no centro desse povo chato!

 

Meu Deus, um almoço se forma um turbilhao. Nossa paquera numa mente sem freio. E a gente nada. Mergulha até o fundo pérola.

Somente nos dois no mar que fizemos soprar. Barcos fantasmas.

Como pode alguém nao perceber esse tempo?

Como pode alguém?

 

Que vou quase me esquecendo

O inicio.

Tudo começa na reza e termina com o pedido:

 

Voce quis, eu quero.

 

E o olhar cruzado na propensa despedida leva nosso sangue que ferve à menos 8 graus abaixo do zero..

 

 

 

Milao, Itàlia (9 di gennaio del 2009).

 

Acantiza

 

Augusto Cavalcanti