| Meiotom - Contos |
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Achonchego |
JOSETTE MONZANI |
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Aconchego
Josette Monzani O hotel era simples. Um velho casarão muito limpo. Fui para o quarto dormir. Estava abafado. Acordei com o toque do telefone. – Você quer algo? Pedi uma água prata com gás, sempre inexplicavelmente deliciosa. Falei que tinha dor de cabeça e perguntei se havia aspirina. A voz no fone respondeu-me: - temos doril e tylenol. – Tanto faz, eu repliquei desanimada. A voz me disse: tome doril. Sempre tomo, quando me sinto assim. Concordei. A garrafa era de vidro, com tampinha de metal. Soltei a tampa e me senti no passado. Voltei a dormir. Um tempo depois, o fone soou. Era seu Antônio novamente. - Venha tomar café, filha. Vai lhe fazer bem. Desci as escadas de ladrilhos vermelhos. Sentei-me à mesa vazia. Ele trouxe uma toalha limpa, vermelha com desenhos – exatamente igual a que tive um dia. Ajeitou-a. Foi colocando a xícara, o pratinho para o pão, açúcar, adoçante, guardanapo... foi buscar as frutas fresquinhas, bem cortadas e geladas. Uma fatia suficiente de bolo de fubá. O suco. Por fim, o leite quente. Tudo na exata medida e forma. Pronto, ele falou ao terminar. Agora coma, filha. Você merece.
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