| Meiotom - Poesia |
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NESTOR LAMPROS |
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O DEUSIFICADO MERCADO OU O DESPRODUTO INCOLUMERCIAL
temos o mundo encravado em faces de cruzes
canonizado o deus mercado vai para o céu de cédulas cruzes canoras das cifras sorrindo da terra entre dunas frio rios que não existem sifilítico cancro humano roubado da mão da menina( esta não existe)
o pássaro e o rebanho suas sombras foram leiloadas com o sangue regando ambientes espaços em reprodução milagrosa ausentes
náufragos impessoais a favor das correntes do câmbio engolfam a terra no seu escuro desígnio reforça a fé dos seus habilitantes e credores arroxantes filhos
na mão não existe nada a não ser a imagem ilusionista e o outro lado do mundo sempre descarnado torna-se a mentira da verdade prevista o deus mercado simulacra a saliva de quase beijo de judas enfermo sem mais Jesus que nascera para berrar nas feiras livres e presas a um outro evangelho
sem verdes esperanças para os seus só a voz nas entranhas e o produto comercializável comprimido em vagar com um globo ocular nas carteiras a comprimir ossos e a revoar e renovando com a mesma perdida tira-teima
pedindo exato cada vez mais me vendendo na liquidação telemostrada dum deus mercado
o extremo- estranho-desumano em dígitos
O VOO
pássaros morrem enquanto homens vivem morrendo
a sua ausência os enganos da hora insone pássaros se vingam na fome da morte enquanto homens vigiam os pássaros mortos com fomes
na cidade encontra-se pernas furadas cataclismos sem palavras rompendo olhos na ternura que se ausenta pela calefação quebrada
no parque em que homens morrem e pássaros morrem no fenômeno sem explicações somem sem perguntarem
AZUL
todos dormem fingindo a fuligem dos mercados
mercadorias avultam em gerações não mais sabemos ir embora
as mãos seguram gelo e pregos absortos
sombras recorrem às prostitutas
o alarde da fome cumpre provocando dias
a noite é amiga fugidia entre as árvores loucas
concorrem a pesar pelo tempo tempo azul ainda azul azul
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