|
o
galo
o silêncio
com suas equações
de estrelas
abre os portais
da madrugada
sob os olhos atentos
do infinito
um quarto de lua
empresta a partitura
ao galo
(...)
laranja mecânica
às vezes me desespero
e cometo absurdos
às vezes simplesmente
fico mudo
não sei de onde vim
nem porque assim
me desnudo
( * * * )
suicídio lento
na mobília da alma
os versos que invento
(* * *)
ruído d'agua
no rio nascente
música dos peixes
( * * *)
ploft
escr ever poesia
algumas vezes
é como jogar pedra
em agude
as ondas se formam
e a gente descobre
que aquilo não é
poesia
é física
(...)
ácido
nore demoi nhod as ru as
me usp assos
insis tem emna da etud dotudo
t udotud o
emme ucrbn iof icaexp ostoaos
p eda g os
.
.
.
(...)
poeta interino
todo dia substituo um
cidadão de jeans san
dálias e cabelos gris
por um martelo e prego
silabas no
branco da folha branca
cada pan cada
uma plêiade de me
memória e lixo
todo dia
revelo o bêbado ocioso
que nada
nada
nada
e sempre i um rosto e
um nome ensacado em
minha pele
(...)
figos maduros
ai de mim
com essa figueira crescendo dentro
sem saber direito o momento da poda
ou da colheita
ai de mim
que não entendo de arvores que nco com
preendo direito o que elas dizem o que fa
zem como agem na hora do corte e
depois
na transcendência das figueiras
nem sei se a casca
grossa no caule leitoso
com o tempo terá uma
fibra impermeável
ai de mim
que percorro a mansidão invisível
como um galo cumprindo o ofício
das manhãs
(...)
cerro da pólvora
(para Sebastião Uchoa Leite)
ando
na verdade
caminhando pela infância
brincando de subir nas arvores e
descobrir o horizonte um pouco
mais longe
nas horas vastas
escrevo versos
nada que seja tão mais
importante que carregar caixotes
na cabeça e despeja-los em algum
buraco de origem nãos abi da
(...)
circunstância
o poema
i sempre um espetáculo
um pouco mais denso
vem de um tempo
longino
onde a memória perdia
o nome das coisas
e as pessoas eram
montarias do futuro
|