Meiotom - Poesia


 

POEMAS DIVERSOS

LAU SIQUEIRA

 

o galo


o silêncio
com suas equações
de estrelas
abre os portais
da madrugada

sob os olhos atentos
do infinito
um quarto de lua
empresta a partitura
ao galo


(...)


laranja mecânica


às vezes me desespero
e cometo absurdos

às vezes simplesmente
fico mudo

não sei de onde vim
nem porque assim
me desnudo


( * * * )

suicídio lento
na mobília da alma
os versos que invento

(* * *)



ruído d'agua
no rio nascente
música dos peixes

( * * *)


ploft

escr ever poesia
algumas vezes
é como jogar pedra
em agude

as ondas se formam
e a gente descobre
que aquilo não é
poesia

é física


(...)

 

ácido

nore demoi nhod as ru as
me usp assos
insis tem emna da etud dotudo

            t udotud o
emme ucrbn iof icaexp ostoaos
p eda g os
                  .
              .

                    .


(...)

poeta interino


todo dia substituo um
cidadão de jeans san
dálias e cabelos gris
por um martelo e prego
silabas no
branco da folha branca

cada pan cada
uma plêiade de me
memória e lixo

todo dia
revelo o bêbado ocioso
que nada
nada
nada
e sempre i um rosto e
um nome ensacado em
minha pele

(...)

figos maduros

ai de mim
com essa figueira crescendo dentro
sem saber direito o momento da poda
ou da colheita

ai de mim
que não entendo de arvores que nco com
preendo direito o que elas dizem o que fa
zem como agem na hora do corte e
depois
na transcendência das figueiras

nem sei se a casca
grossa no caule leitoso
com o tempo terá uma
fibra impermeável

ai de mim
que percorro a mansidão invisível
como um galo cumprindo o ofício
das manhãs

(...)



cerro da pólvora

(para Sebastião Uchoa Leite)


ando
na verdade
caminhando pela infância

brincando de subir nas arvores e
descobrir o horizonte um pouco
mais longe

nas horas vastas
escrevo versos

nada que seja tão mais
importante que carregar caixotes
na cabeça e despeja-los em algum
buraco de origem nãos abi da

(...)

circunstância


o poema
i sempre um espetáculo
um pouco mais denso

vem de um tempo
longino
onde a memória perdia
o nome das coisas

e as pessoas eram
montarias do futuro