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DO LIVRO INÉDITO ‘A FLOR DENTRO DA ÁRVORE’ BÁRBARA LIA
“Dentro da minha flor me escondo...”
Baile das harpias Em árvores carbonizadas Rindo do fim Fumaça sangra Nosso jardim A alma do éden Adoentada.
“Até que os serafins acenem com seus chapéus brancos” Não nasci para resfriar o mundo Neste lerdo cortejo de omissões Estas palavras interditas Suspensas
Não vim quebrar as pernas do sol Silenciar cada bemol Não vim para arrebentar o anzol Do velho de Hemingway
Sou mar e trovão no coração Nasci para amar sem lastro Para dançar no pátio It is my way
“Doce como o massacre de sóis”
Oito
canhões na praça de guerra
“A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la” O sagrado despe as ilusões e abraça as árvores mortas Suas folhas azul esmaecido qual manto da Virgem de Cambrai
Os ossos das árvores adoeceram e elas morreram – azuis - Antes que tornassem brancos os seus cabelos
“Sinal cifrado para enovelar o divino” Trinta e dois ventos da rosa dos ventos Vinte e um gramas do peso da alma Oito países a comandar a Terra UM Deus louco pelas ruas bombardeadas
“O pedigree do mel não diz nada a uma abelha” O rancor dos homens Contaminou as flores As abelhas Morreram de cólera Adocicada
Último zumbido Acordou o Sol Em cadência afinada Qual canção do Vangelis
Nota – as poesias do livro ‘A FLOR DENTRO DA ÁRVORE’ é um diálogo com Emily Dickinson, cada poesia tem como título um verso da poeta Emily – Ela, árvore; Eu, flor
NO JARDIM DE VÊNUS
Nunca direi – Te amo!
Nunca direi - Te amo! Posto que é desejo santo E traz teu rosto – Miragem que pousa na retina Basta! A primavera garante que elas acabaram : É o fim das lágrimas. Líquidos apenas outros - Nosso Gozo. Ainda que embaçado pelas folhas Do outono que vivemos – É vermelha flor que Rola na alameda e é vermelho o telefone que Traz este mar sonoro - Alma ancorada em voz E quando suplicas que eu te consagre em rito Eu me banho incensada em orquídeas, jasmins E quando amanhece e meu ser desperta – Eis: A primeira miragem – teu rosto dentro de mim Tu que estás dentro de mim, tu que estás aqui Dentro de mim. Teu sopro corpo palavra e pau Dentro de mim. Teu olhar - vidro que parte as Paredes e me invade. Logo ali a garota sonha - Tolices ancestrais: Amor eterno casar ser feliz A pássara que rega com sua aura o raio da lua Morre de pena da garota que crê – Amor esta Utopia Mor. O teu grito é o eco do meu – Nós Cremos sim é no desejo insano inaugurando o Sol ardente de Eros e a Lua escandalosa dela – Poderosa Afrodite – Neste intercâmbio voraz: Tua sutileza que abre minha vulva sem tocar; Minha loucura: A endurecer teu pau e eriçar Pelos – Nós nos buscamos na manhã - Neste Tudo de amar. E quando despes meu vestido Nada acima da pele. Nada no ar. A não ser a Canção. Nada a passear no chão – E o mundo Não sabe que ali – naquela janela – É o Éden A coberta da cama agora é nuvem. Soro vivo – teu sêmen que me lava poro a poro. Sim! A consagração da vida em coito puro a curar Todo o cansaço, agonia, dores, temores gris :: O desejo saciado é o céu que nos visita :: :: O desejo saciado é o amor envelhecido :: O desejo é um velho sábio, que sacode o ar E segue sua trilha morto de pena do amor - Este impostor - Que há séculos e séculos e Séculos amém nubla esconde a dádiva mor – Eu te desejo – Tu me desejas Utopia não nos sacia. Só o desejo - Só o desejo que chegou sem aviso Registro, AR – telegrama onírico à Nossa frente – A nos gritar para não adiar Teu desejo – Meu desejo – Murmuramos: Que Eros nos Proteja! Nos Proteja! AMÉM
SÉPIA Minha luxúria é sépia Habita estúdios de 1930 Estouro de purpurina A cada flash do tesão
Minha luxúria - Polaróide antiga Imprime postais esmaecidos Sorrisos de conta-gotas
Minha luxúria lacrou O livro do amor - utopia dos desgarrados –
(Adeus suspiros de Monalisa Carícias de carpideira Despedidas na soleira)
Minha luxúria é parto à revelia Quando chegas com fórceps Quando chegas com toques Quando tocas meu clitóris Quando roças meus mamilos
Quando afogas o amor No mar dos improváveis E ressuscitas O DESEJO
Retirando-me das entranhas de Eros Pra me batizar com teu sêmen Abençoado sêmen Amém Bárbara Lia (Assaí, 24 de agosto) é uma escritora brasileira. Nasceu em Assaí, norte do Paraná. Publicou poemas em jornais literários como Rascunho, Garatuja, Mulheres Emergentes, Revista Etcetera, Revista Coyote, Ontem choveu no futuro. Na Internet, tem textos publicados na Zunái, Cronópios, Blocosonline, Editora Ala de Cuervo, entre outros. Bárbara foi por duas vezes finalista do Prêmio Sesc de Literatura: em 2004 com o romance Cereja & Blues (inédito em livro) e, em 2005, com o romance Solidão Calcinada (publicado em 2008 pela Secretária de Estado da Cultura). Terceira Colocada no Concurso de Poesias Helena Kolody – 2006, Menção Honrosa no mesmo concurso em 2007. Menção Honrosa no Conc. Nacional de Contos Newton Sampaio/2009. Premiada no Concurso de Contos Grotescos – Prêmio Edgar Alan Poe/2009 e PrêmioUfes Literatura/2009. Entre outros importantes poetas da atualidade, faz parte do livro de ensaios O que é poesia? (Ed. Confraria do Vento), organizada por Edson Cruz. Obra O sorriso de Leonardo (Poesia, Edições Kafka - 2.004) O sal das rosas (Poesia, Lumme editor – 2.007) A última chuva (Poesia, ME – ed. alternativas – MG – 2.007) Solidão Calcinada (Romance, Secretaria da Cultura / Imprensa Oficial do Paraná - 2008) Constelação de Ossos (Romance, Vidráguas/2010)
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