| Meiotom - poesia |
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liso carenu |
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QUALQUER LÓGICA PODE SER
ALVORADA (Poemas inéditos de Liso
Carenu) I
– Querer,
louco ser da forma sendo
ela feia das mais feias é
a única forma de sentir o
calor das palavras soltas como
numa cabeça de sacos de batata como
excreta a devoção da vida para ver o
invisível? sendo
concreta a escrita e a forma e
não existe por motivo algum a perda do
futuro no
momento em que desce a flora sobre o pairal toda
a natureza desperta fogo sem mitologia,
alergia a
poesia louca adentra nos cotovelos pela estrada
afora e
muda o roteiro da libélula a
arte da escrita é anterior a arte de comer nada
disso é arte! quando
se tem um rojão apontado as meninas correndo
pelos olhos da esquerda pra direita mas
vontade de escrever é maior que
há de ler as
palavras me ludibriam sensato e
me fazem dizer que te amo que
se fôda! e
que bem aventuremos nas palavras lustres penduradas
na mente esperando
um estímulo interessante por bem ou
estressante por mal que as coisas hão de
acontecer cada
passo escrito em poesia é
o futuro sendo introduzido como
os membros da família perdendo os dedos e
que largo seja o infinito das palavras porque
a ignorância prevalece muda e surda ainda
usa a inteligência interpretando-a
mesmo
sendo ela a fonte prematura de
uma vida abraçada numa árvore preso
a ela com uma braçadeira gigante perdendo
o peso com água gelada e
o entendimento do texto amigo
do filme perdeu-se
com o extinto chip da fonte na
sua cabeça cheetos parente
próximo das
crianças da década de 80 enrabando
as paquitas do show da Xuxa convenhamos nada
além de nós pode nos separar
a
partir do momento que adentramos o
portal da imaginação livre e dali, livre! não
estou preso a fotografias nem vídeoclipes! não
precisamos de luz adaptamo-nos
as pegadas instintivas da imaginação e
qualquer lógica pode ser alvorada II
- lembro
- te que tudo isso sobre
o olhar de um raciocínio fétido patrocinado
pela estação de tratamento de esgoto pela
fornecedora de energia elétrica faz
de novas palavras roupagens
inovadoras da sua fé figurada como
se a fé fosse uma seqüencia de
amor e retratos, caras e cheiros e
principalmente luzes sem cor chegando
do espaço indo
para o espaço entre
o pescoço e a boca pode
estar o queixo mas
o problema é
a cama em que te acalma quando deito e
deitado vejo o suor das suas mãos e
o gogó soluçando o
monstro da capivara surgiu
no happyhour engravatado de sexta-feira oxigenado
riacho dentro da bolha encontrou
seu lugar na faculdade era
sábado bem o espaço: buceto negro oco espaço
que fica dentro do bule de café entre
o big bang da mente e o delírio da alma ou
numa antena colher que atende o pedido ou
a sua fantasia de carnaval dançando
Chico no meio da semana revendo
a leitura que não leio vejo
uma luz no fim do túnel como
uma locomotiva vejo
a sombra de um maquinista querendo
dizer algo com as mãos e
meu coração apaixonado por Elvira prima
da pólvora estourava na palma criando
um espírito pipoca encosta
o pés nas mãos pra dizer
tendão tendão ao infinito fluxo
de caixa é o pensamento fluxo
de pensamento dentro de uma caixa e
cada pagina é uma porta sim
salabim na verdade salabim evocação
sim saúde ao coração americano
tosco palavras
aqui não estão e sim seriedade e sensação
[ Liso Carenu,
pseudônimo de Carlos Lineu Pupo, arquiteto, urbanista, artista plástico e
poeta multimídia, tem 26 anos, santista, apresenta poemas de seu novo
livro “ Qualquer lógica pode ser alvorada”] http://poesiadelisocarenu.blogspot.com
SISTEMA ASNO DE TELEVISÃO E agora no vento da praia corro a procura cósmica o mar longe dos pés a veia corroendo minha
letra marcando como boi é marcado no anteparo do
vidro do lado de lá da TV o fim da acústica o fim da astúcia cenário persecutório do que se trata a virgem da
viagem apaixonado se perdeu na dor do
eleitorado um voto de castidade pro universo prosperar e respirar espécie de
sangue num cheiro de fralda na festa da limpeza todos
sorrindo o diafragma funcionando e os leds
acesos no meio do salão, do cinema escuro e pegajoso ema bolha negra boiando no
mar devagar se aproxima do
mangue avança e leva seus frutos refugio das formas nascente dos beirais e
abismos aqui ninguém me encontra posso ser visto de qualquer
maneira ninguém mais me apaga no Zeppelin que
toca amor fugidío à brasileira espécie cartas náuticas de antigos
piratas deixam aperfeiçoados batalhas bilíngües da noite breu e alforje derretido mofado declínio da estação borra de chuva com barro
nobre guitarra de berro fura belo os últimos gritos de solenidade de tempo
dedicado dos derradeiros dias dos andes palestinos da África abortada mãe pagã figa de isopor papel de parede estranho sem ritmo sem vez sem
coragem morto na sedução sistema de cores inerte sem
explosão Sistema Asno de Televisão [ Liso Carenu,
pseudônimo de Carlos Lineu Pupo, arquiteto, urbanista, artista plástico e
poeta multimídia, tem 26 anos, santista, apresenta poemas de seu novo
livro “ Qualquer lógica pode ser alvorada”] http://poesiadelisocarenu.blogspot.com
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