| Meiotom - poesia |
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márcio-andré |
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SINTAXE DAS CAZAS
os gomos cítricos de sua íris [um aberto
rente ao céu]
as portas sílex-folha o flúor dos dias [dobra entre baldrame
& rua] — a mulher dentro da casa: útero num outro útero: &: a
cidade-máchina
q emborca brincantes sua boca de lajota seu óleo de baleia e pedra
no déjà vu o mesmo instante de uma outra possibilidade
para construir uma casa antes é preciso escolher o céu sobre ela tomar o pulso do quintal ou do chão
As casas são 30% tijolos e 70% sonhos
[1] casas-frutas casas-mundo
[2] a cidade-mitose cidade aerada [um seu subterrâneo aleatório]
era nova a mulher na cozinha mas o cabelo tinha o dobro da idade
fruta-falo em seu ventre
na ontologia dos detalhes os utensílios tem parte com os delírios
[3]
a estrutura óssea da casa não suporta vibrações de realejo
oxigênio ao contrário nas anticasas
uma outra casa habita meu quintal antes
[sua caligrafia de nãos]
e a dama azul vestida de terra também casa seu nome e carne ao avesso
a melopéia das plantas morder a casca do mundo
: : à noite os pensamentos são mais escuros os quintais se encolhem e as lâmpadas dão seus pêssegos de luz
a casa nos respira com seu tórax de alvenaria
[ ] nós
um tumor nas entresalas
a carambola-flor frutificando no pomar de alguma rua antiga
e os quadros janelas para dentro de si
uma anticasa habita as casas
e uma
Márcio-André
"Márcio-André é poeta, editor, tradutor e ensaísta.
Vive e trabalha no Rio de Janeiro, onde dirige a editora Confraria do
Vento e o projeto Arranjos para Assobio, de texturas poéticas
e realidades experimentais. Publicou alguns livros, entre eles Movimento
Perpétuo. Colaborador de diversas revistas, ele edita, ele mesmo, o
periódico Confraria (www.confrariadovento.com).
Sua página é
www.marcioandre.com".
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