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[descrições e metáforas]
Hoje o dia amanheceu
com sol! Poucos dias atrás recebi
um e-mail de uma
amiga querida. O e-mail fazia
referência a meus textos antigos. Ler aquelas
palavras me fez lembrar o quanto eu sinto
falta das palavras e contato de cada um que está
longe. E de
quanto sempre me aproximou escrever. O sol voltou a sair por aqui, e os
dias tem sido de
céu azul. Ainda assim, a água congelada à
beira das calçadas não deixa esconder o frio e logo mais, lá pelas 16
horas, o sol se põe
baixo na cidade... deixando
um céu laranja lindo de se ver.
Pensamentos parecem
metáforas. Percepção de mim mesmo. Para dentro e para fora. Arquitetura se organizando
dentro e fora de mim. Em frente à minha casa uma construção: a futura escola de cinema. A cada dia um pouco mais de terra é retirada, cava-se
um novo buraco, uma
nova parede de contenção. E proteção. Às vezes a neve cobre tudo de branco. Paisagem inesperada. Aquela
surpresa da manhã. Ainda assim não se pára.
Logo o terreno fica
cheio de marcas. Todos os percursos traçados. Daquela
caixinha de onde saem
todos aos inúmeros
pontos distribuídos
irregularmente pela superfície de terra. A mesma que às vezes branca.
Os operários ficam la
em baixo, a uns 20
metros para baixo do nível da rua, semi enterrados.
Montes de terra como se fossem
feitos buracos por marmotas das historias infantis.
Parecem-me mais formigas. Aparecem e desaparecem. E
não param.
Às 16 horas acendem-se
holofotes, como se fosse
um estádio, todo aquele buracão eventaliza-se. Assisto
do alto, cena após cena. Até que tudo se apaga e as
luzes das gruas há pouco construídas redesenham o skyline. As
árvores sem folhas permitem ver mais longe. A cidade fica
mais transparente. Ao mesmo tempo mais escondida. Rapidamente, as
pessoas aventuram-se pelas
ruas, em seus caminhos diários. Narrativas próprias. Faço o
mesmo e observo
um de muitos eventos, confortavelmente. De
minha janela.
Às vezes pela manhã os ruídos da obra me chamam a
atenção. Ou apenas incomodam.
Mas acordo, novamente, com o privilégio dessa
paisagem em mudança pela janela. [scape in turn]
Metáforas de novo. Constroem-se
por todos os lados.
[scape] necessário instalado na
cidade. percursos.
olhares.
Percursos constantes e olhares como um roteiro [narrativas diárias]: organizam-se nas
palavras para futuros roteiros e histórias.
Imaginários a serem
vividos e transmitidos. Transportados.
A tal escola de cinema.
Marcos
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