Meiotom - Crônicas


 

 

MARCOS ROSA

[descrições e metáforas]

Hoje o dia amanheceu com sol! Poucos dias atrás recebi um e-mail de uma amiga querida. O e-mail fazia referência a meus textos antigos. Ler aquelas palavras me fez lembrar o quanto eu sinto falta das palavras e contato de cada um que está longe. E de quanto sempre me aproximou escrever. O sol voltou a sair por aqui, e os dias tem sido de céu azul. Ainda assim, a água congelada à beira das calçadas não deixa esconder o frio e logo mais, pelas 16 horas, o sol se põe baixo na cidade... deixando um céu laranja lindo de se ver
.

Pensamentos parecem metáforas. Percepção de mim mesmo. Para dentro e para fora. Arquitetura se organizando dentro e fora de mim. Em frente à minha casa uma construção: a futura escola de cinema. A cada dia um pouco mais de terra é retirada, cava-se um novo buraco, uma nova parede de contenção. E proteção. Às vezes a neve cobre tudo de branco. Paisagem inesperada. Aquela surpresa da manhã. Ainda assim não se pára. Logo o terreno fica cheio de marcas. Todos os percursos traçados. Daquela caixinha de onde saem todos aos inúmeros pontos distribuídos irregularmente pela superfície de terra. A mesma que às vezes branca
.

Os
operários ficam la em baixo, a uns 20 metros para baixo do nível da rua, semi enterrados. Montes de terra como se fossem feitos buracos por marmotas das historias infantis. Parecem-me mais formigas. Aparecem e desaparecem. E não
param.

Às 16
horas acendem-se holofotes, como se fosse um estádio, todo aquele buracão eventaliza-se. Assisto do alto, cena após cena. Até que tudo se apaga e as luzes das gruaspouco construídas redesenham o skyline. As árvores sem folhas permitem ver mais longe. A cidade fica mais transparente. Ao mesmo tempo mais escondida. Rapidamente, as pessoas aventuram-se pelas ruas, em seus caminhos diários. Narrativas próprias. Faço o mesmo e observo um de muitos eventos, confortavelmente. De minha janela
.

Às
vezes pela manhã os ruídos da obra me chamam a atenção. Ou apenas incomodam. Mas acordo, novamente, com o privilégio dessa paisagem em mudança pela janela. [scape in turn] Metáforas de novo. Constroem-se por todos os lados
.

[scape]
necessário instalado na cidade. percursos. olhares
.

Percursos
constantes e olhares como um roteiro [narrativas diárias]: organizam-se nas palavras para futuros roteiros e histórias. Imaginários a serem vividos e transmitidos. Transportados. A tal escola de cinema
.

Marcos