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antonio miranda |

Poema de Antonio
Miranda
Foto de Aragão Júnior
pássaro adiantado no
tempo
— o inverno anuncia dias
calados.
Que me falem de ti, onde
andas.
Sem notícias e
mensagens.
Animais gregários. Sapatos
gastos.
A janela olhando o
horizonte,
o horizonte dentro da
janela.
Olhando para dentro: sem
você.
Quando aportaremos,
seguros?
As paredes estalam.
Estremecemos.
Nada além disso, é o
bastante.
Hora impávida,
ensimesmamento.
Deve haver outra saída mais
adiante.
Uma chuva letárgica,
atrasada
molha sem pressa,
afogando
por onde passo, sem
caminho
— ofegando, buscando sem
saber,
sem saída, descalço — o dia em
falso.
Talvez. Deve haver outra
saída.
* *
*
As nuvens espreitam a lo
lejos
e me protege a sombra
passageira.