| Meiotom - prosa |
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ronaldo monte |
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Passei boa parte
da vida escutando que a ocasião faz o ladrão. Até que um dia alguém me disse que
não, a ocasião apenas põe o ladrão em frente ao objeto a ser roubado. Para que
haja o roubo, é preciso que o ladrão já exista, pelo menos
Acreditar que a ocasião faz o ladrão e que o poder corrompe a qualquer
um que o exerça é aceitar que dentro de cada um de nós dormem um ladrão e um
corrupto esperando ser despertados assim que encontrarmos uma velhinha distraída
ou um cargo de faxineiro em qualquer prefeitura do interior.
Por mais que os
fatos queiram me provar o contrário, não creio que todo político seja ladrão. E
se todos os políticos fossem ladrões, isto não quer dizer que todos os cidadãos
deste País sejam ladrões.
Não vou recorrer aos exemplos edificantes de
pessoas simples que encontram malas de dinheiro e as devolvem a seus donos. As
pessoas comuns não precisam de grandes exemplos para ser boas. Alguma coisa
interna orienta suas condutas em função do respeito ao próximo e ao bem comum. E
não é por obediência a um preceito moral, como os mandamentos que proíbem matar
ou roubar. É algo mais sólido, como o imperativo que exige que a conduta de
qualquer um possa servir de modelo à conduta de todos.
Não, a ocasião não
faz o ladrão, nem todo poder corrompe. Ladrões e corruptos existem antes de
qualquer ocasião ou poder. O que os faz ladrões e corruptos é um impulso, uma
fome que os leva a procurar os objetos mais expostos ao roubo e os cargos mais
propícios à corrupção. Nós, as pessoas comuns, devemos estar atentos a estas e
outras figuras de retórica dos ladrões e corruptos que nos querem fazer pensar
que somos iguais a eles.
Imagem obtida em
www.fraudes.org/images/bassotto2a.jpg
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