Ela
me ataca
por
dentro.
Toma meu
corpo de
assalto.
Não
importa
onde eu
esteja.
Na cama,
na mesa,
em
frente
ao
computador.
Não se
anuncia.
Assume o
comando
dos meus
músculos,
dos meus
ossos,
das
entranhas.
Obriga-me
a
movimentos
desordenados,
a
estertores,
solavancos,
caretas
e
contorções.
Deixa-me
os olhos
arregalados
e turvos
de
lágrimas.
O corpo
todo
dói.
A noite
é o seu
tempo de
rainha.
Odeia me
ver
dormir.
Mas a
luz do
dia não
inibe
seu
exibicionismo.
Prefere
os
momentos
em que
preciso
de calma
e
concentração.
Tira-me
do
sério.
Não
entendo
o que
ela diz,
essa
estrangeira.
Emite
sons de
fera
enlouquecida.
Grunhidos
de
monstro
de outro
mundo.
Nada
nela faz
sentido.
Não sei
a que
vem, nem
por qual
motivo
vai
embora.
Meu
pânico
se
antecipa
ao seu
ataque.
Já me
dou por
vencido
ao menor
sinal de
sua
presença.
Não
adianta
qualquer
reação.
Por isso
continuo
escrevendo,
mesmo
sabendo
que
agora
mesmo
ela vai
entrar em erupção.
Não
suporto
mais
esta
tosse
seca.
Ilustração
obtida
em:
nautilus.fis.uc.pt
Visite
meus
blogs:
blog-do-rona.blogspot.com
memoriadofogo.blogspot.com