|
Toda criança nasce poeta. Para os
seus olhos, tudo é espanto,
novidade. Sua leitura do mundo ainda
não foi domada pela sintaxe careta
da linguagem usada como moeda de
troca. As circunstâncias é que podem
embotar esse modo novo de ver o
mundo.
Felizmente, minha neta ainda não foi
treinada a pensar que não se pode
pegar a lua com as mãos e dar de
presente à sua mãe. Mais felizmente
ainda, ela não está sozinha neste
modo de apreender o mundo. Algumas
mães, minhas amigas, vieram me
contar como o pensamente poético
também habita a alma de seus filhos.
Teresa Madeira me conta que sua
Cada um de nós carrega ainda esse
antigo poeta que fomos um dia. É
preciso apenas saber despertá-lo. E
um bom começo é, de vez em quando,
se despojar da sintaxe careta da
linguagem e deixar que o mundo nos
mostre novas conexões entre as
coisas. A melhor forma de deixar
isto acontecer é voltar a olhar para
o céu nas noites de lua. Crescente,
cheia ou minguante, a lua sempre
encontrará um meio de nos causar
espanto. Esse espanto, acredite, é
pura poesia.
Ilustração:
Visite meus blogs:
blog-do-rona.blogspot.com.br memoriadofogo.blogspot.com.br |