| Meiotom - poesia |
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ronaldo monte |
Não tenho qualquer vocação para Polyanna e sei muito bem no que deu
a fé inabalável de Anne Frank na bondade humana. Não é, portanto, de
bondade que quero falar. É de um impulso muito mais primitivo na
constituição do ser humano que o leva a arriscar a própria vida em
defesa da vida de um semelhante. É algo ligado à preservação da
espécie, valor mais alto do que a preservação do indivíduo.
O exemplo mais recente deste aspecto radical do comportamento humano
foi dado pelos protagonistas do salvamento de uma mulher prestes a
ser carregada com a sua moto numa enxurrada, na cidade de São José
do Rio Preto,
Quem
Estamos tão habituados às notícias sobre a violência entre os homens
que somos levados a ver a nossa espécie como essencialmente
destinada à destruição dos vínculos entre os semelhantes. É preciso
que algo se eleve à condição trágica para que possamos ver a
manifestação do instinto gregário que nos faz ainda resistir como
espécie.
Não tenho, já disse, qualquer vocação para Polyanna, nem acredito
incondicionalmente na bondade humana. Mas é muito bom ser lembrado,
de vez em quando, que existe um instinto básico na minha espécie que
permite um mínimo de esperança na construção de uma convivência
solidária.
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