| Meiotom - poesia |
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ronaldo monte
Vazio
na medida em que envelhecemos, o mundo vai ficando cada vez
mais vazio.
Cada morte de um amigo nos deixa uma parte do mundo em
escombros, como a explosão de um obus.
Será lembrado por muitos dos que beberam de sua sabedoria
nas salas de aula do Departamento de Psicologia da UFPB.
Mas só os que provaram da sua amizade poderão avaliar o
verdadeiro sentido da sua perda.
Eu tenho muitos momentos desses gravados na memória.
Um deles, porém, me volta sempre à lembrança, como a maior
oferta de cuidado que se possa receber de um amigo.
Foram muitos os amigos que cuidaram de nós nesse momento de
franco desespero.
Mas foi o Maia que fez por nós o que a dor nos impedia de
fazer.
Ele estava em nossa casa e acompanhou todo o nosso esforço
em acalmar e botar para dormir o nosso filho mais novo.
Então, ele tomou o menino nos braços, foi com ele para a
calçada e lá ficou até que o nosso filho parou de chorar e
dormiu.
É esta lembrança que torna o meu mundo menos vazio, mesmo
com o desaparecimento do amigo.
E será esta lembrança que me salvará todas as vezes em que
eu me sentir vazio de amigos.
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