Meiotom - poesia


 

 

EDSON BUENO DE CAMARGO

 

Mostruário-48

 


 

Edson Bueno de Camargo - Santo André - SP, 1962, mora  em Mauá – SP. Poeta, pedagogo, fotógrafo extemporâneo e entusiasta de arte-postal. 

 

Publicou: “cabalísticos” Orpheu – Editora Multifoco – Rio de Janeiro – 2010; “De Lembranças & Fórmulas Mágicas” Edições Tigre Azul/ FAC Mauá -2007; ”O Mapa do Abismo e Outros Poemas” Edições Tigre Azul/ FAC Mauá -2006,  “Poemas do Século Passado-1982-2000”, participou de algumas antologias poéticas e publicações literárias diversas: Babel Poética, Zunai, Germina, Meiotom, Confraria do Vento,  O Casulo, Celuzlose, entre outras. 

 

Recebeu entre outras, as premiações: CONCURSO LITERÁRIO – SÃO BERNARDO DO CAMPO – Premiado na Categoria Poesia Nacional – 2010; 1º lugar nacional - 6º CONCURSO LITERÁRIO DE SUZANO – Categoria Poesia - 2010 1º lugar nacional - 4º CONCURSO LITERÁRIO DE SUZANO – Categoria Poesia - 2008; 1º lugar do PRÊMIO OFF-FLIP DE LITERATURA – 2006 – categoria Poesia.

 

Participa do grupo poético/ literário Taba de Corumbê da cidade de Mauá –SP.

 

Edson Bueno de Camargo

Rua José Cezário Mendes, 104 Vila Noêmia – Mauá – SP – Brasil.

CEP – 09370-600

correio eletrônico: camargoeb@ig.com.br

 

http://umalagartadefogo.blogspot.com/

http://inventariodn.blogspot.com/

http://www.secrel.com.br/jpoesia/ebcamargo.html

http://www.gargantadaserpente.com/toca/poetas/edson_bc.php

http://www.meiotom.art.br/edsonbuenopo.htm

http://www.youtube.com/camargoeb

 

 

 

canção de ninar

 

as trincas no chão

segredam geomântica(mente)

que os armários da sala

caminham à noite nos corredores

 

nossos fantasmas governam a casa

e a casa enterrada nos alicerces desta

 

morrer é só um dos mistérios do nascimento

e quando somos crianças e velhos

as paredes entre os mundos são mais finas

 

acredito que nossos antepassados

nos sussurram aos ouvidos antes de nascermos

 

 

 

 

 

corações cansados

 

 

sinto o caminhar de alamedas
e os cabelos do vento
em meus ombros

como é belo
o sopro infinito dos anjos
em coro

há um espaço reservado de céu
em nossos corações cansados

agora ainda sou menino
e os joelhos em carne viva
como um santo de andor

santo sangue dos inocentes

 

 

 

 

 

a cal

 

a linha do tempo

entra pelas janelas
e conta a história

da casa

 

esta passa

pelas gerações de mulheres

de ciclos

de partos

 

uma mó de moer ossos

o calendário lunar

das regras e das fases

 

e cada geração recolhe

as velhas gerações
e se encadeiam

 

e triturados (os ossos) serão a cal

que dará liga a argamassa

das pedras assentadas sobre a terra

ou sob o chão

alicerce de pedras angulares

e nascimentos 

 

 

 

 

 

sem minha mão

 

 

tenho plantado

sementes no outono

com esperança

que não feneçam

primaveras em meu jardim

porque flores teimam

em se abrir no inverno

sob o sol tropical

que nos engana

 

tenho plantado sementes

todos estes anos

 

com esperança que brotem

e produzam frutos
porque o inverno habita em meu  seio
e o gelo em meu coração

e ainda flores

brotam na calçada

em meio a tempestades que passam

e aves que não migram

cordeiros que não se apascentam

 

contudo planto (ou as abandono)

e as sementes germinam

sem minha mão

 

 

 

 

guardar silêncios

 

por quê

os velhos cuidam

de guardar silêncios  (?)

 

e os móveis da sala

tomam dimensões titânicas

diante destes versos

 

e os cômodos com mobílias velhas

cadeiras que rangem

melodias soturnas

 

e um éter com cheiro de alfazema

(mas também de passado)

percorre os corredores

 

um imensidão de livros

de poemas advogados às pressas

e as presas de sal

a acossar as janelas

 

agora cabe a mim o calar

quando o verbo

não se faz mais suficiente

 

guarda-me agora

de ser velho também

 

 



--
"Quem consegue fazer piadas sobre a própria sorte está acima do seu destino" (Sigmund Freud).

"Em uma sociedade mantida pela mentira, qualquer expressão de liberdade é vista como loucura" - Emma Goldamn

Link para a aquisição do livro  de poemas "cabalísticos" - Edson Bueno de Camargo - Coleção Orpheu - Editora Multifoco - Rio de Janeiro - 2010:
http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=272&idProduto=277
Também pelo email: vendas@editoramultifoco.com.br e thiago@editoramultifoco.com.br, no site de compra é informado ao cliente também este email: leosimmer@gmail.com, além do telefone da editora para contato: (21) 2222-3034.



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