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MAINO I REKO YPY KUE

 

OS ATOS PRIMEIROS DO PÁSSARO PRIMEIRO

 

o Ancestral: o Final: o Primeiro

se desdobra das dobras    de si mesmo

no meio da treva primeira

_________

 

as sagradas plantas dos pés

a pequena bunda redonda

no meio da treva     da noite primeira

germinam de seu próprio germinar

_________

 

o sagrado cocar        o sol-pensamento

os sagrados ouvidos                      aqueles-que-ouvem

as sagradas palmas das mãos       com pontas de ramas de flores

: Mistério Maior das Origens :

germinam de seu próprio germinar

_________

 

sagrada coroa sagrada

cocar de plumas de flores

sagrado penacho florido

de plumas

onde paira

Colibri-o-Pássaro-Primeiro

_________

 

o Ancestral: o Primeiro

ainda antes   de se abrir    da abertura

de seu centro

mora no meio dos ventos primeiros

 

ainda antes de brotar          da brotação de si mesmo

na madrugada do éden da aldeia primeira

antes de se iluminar           do luminar de si mesmo

na aldeia do céu      na aldeia da terra

ainda antes de saber                       seu saber coriscante

paira sobre si mesmo

 

Mistério Maior das Origens: Colibri-o-Pássaro-Primeiro

_________

 

o Ancestral: o Mistério Maior: o Primeiro

ainda antes de nascer do nascimento de si mesmo

na madrugada do éden da aldeia primeira

vê-não-vê a treva primeira

ainda antes que o sol se espelhe em seus olhos

raia     raiando          dos raios

de seu centro

 

: sua sagrada visão faiscante

ensolarada ao sol de si mesma :

_________

 

o Mistério Maior: o Ancestral: o Primeiro

mora no meio dos ventos primeiros

empoleirado no meio da treva primeira

 

coruja             espreitando a noite            de si mesma

 

madrugando em sua própria madrugada

_________

 

o Mistério Maior: o Ancestral: o Primeiro

aquele que se desdobra     das dobras de si mesmo

antes de brotar         na terra primeira

mora no meio dos ventos primeiros

 

dos ventos    do centro       do princípio

que voltam aos ventos       e voltam de novo

ao tempo dos ventos que morrem e nascem

e voltam de novo

 

terminado o tempo dos ventos primeiros o ipê está carregado de flores

amarelas: novos cânticos cantam na terra

o tempo das primaveras    o tempo novo da terra        o tempo

das primaveras que nascem e morrem

e voltam de novo

 

 

tradição oral mbyá-guarani, recolhida por Leon Cadogan

tradução: Rubens Zárate

publicado na revista: Laboratório de Poéticas (Antenas & Raízes ) – nº 1

Ponto de Cultura do Imaginário & da Diversidade

Diadema, inverno de 2007

www.labpoeticas.org

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José Geraldo Neres
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