Meiotom - poesia


 

SONIA

J. GERALDO NERES


Crime & Castigo (Flódor Dostoiévski)

sorve
o líquido
da vergonha
vermelha cama
voraz
lágrima
cobre o rosto
tange
os pés
da noite
abandonada pelos deuses
deito a humanidade
levanto-me com os animais
abismo
alugo o veneno
uma morada
o amanhã
quarto-mundo-imundo-vazio
pague
profane as entranhas
obscuro bestial
humano e
                    terno

o sol moribundo
não nutri
meus dias