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    O homem que cuida de suas questões

      se torna  poderoso

olhar a dentro

            almejado

   Estou pras cobranças

bailando a descida do funil

  domando as fendas

   falo do cutucão

  tive que passar por mim

 

  Mística individualista

chora quando da fome

  quando quer brincar

    tenta esboçar palavras

           sopra glossolalias

       abre portas após me olhar

       sem vergonha

 

    Não vou ser Cristo

falar

   tirar o corpo

  tenho queda profeta

 a transpor portais e teorias

           me dei a mim

                       aos manifestos

impressos livrando

mãos atadas

     jovens passeatas

mas na revolução serei adorno

 riscando as janelas do crânio

                               não posso me incendiar

  imagens furando a dedo

      sou gago

  paulatinamente invertendo verdades

 a quem cego

 se preocupou demais com outros

me canso não sendo individuo

acabo mirabolante

   por achar que estou no centro social

que nos aniquila

        romantismo a doença e admirável

 

voyeur

não vou atrapalhar o namoro

de fora

   vou ficar  nu em pelo

       

O fono dialoga em nervo acústico

    estou curando minha gagueira

que secciona a fala que serra elétrica

jogando toda tensão da testa em meus dedos

como se o mundo não fosse estrela

 já tivesse sido espelho

  curando meus traumas na amplidão

que só podem se resumir imagens

 

     Revisitarei textos

 olhar quebrado

      rendendo

desmembrando as civilizações

                                       crias da ironia

comendo rochas gnósticas de liberdade

                  como almôndegas de bixiga

      a bela vista da vós de calha

deixando escorrer o princípio

     não é memória

é húmus transitando os dias

     sem apelos

certando corpo em cura

               ferindo o encontro

necessário aos desfeches do lugar

  

Desculpe por ser

  ladrão de imagens

  estou tentando resumir

            o mundo

em espécie de provisões

  levando sobrevivência a casa

  olhando ao redor

            sou  janela maior que ela

    tenho a necessidade de arrombar o furto

sem eles não daria abrigo em minhas visões

  mania de deixar folha escrita

                                    onde passo

 quero estar em você no meu sentido

             fazendo sua transe

                            quieto e bom pra ti

   catando seus dias a fala

               rompendo a educação

                                 de que sou oposto

  

Precisei ir

      sambar na torre

                 de marfim

roubar tudo do

          meu quieto

e voltar rateado as imagens

     

marginalia

            hermética

riscos diários

         na vertical

dificultando alterando

                  a genética cordial

 

  Contra populismo

picho o alto do prédio

     muro é pulo e pintura

  parede é buraco

         e conversa

 

por que o velho susto

            fecha a janela

 e restrita a linguagem

 

Faço poesia espiando

             teorias

tento filosofar

     até agora

  consegui  atravessar

              o espírito

daqui a pouco não

                   vou precisar mais dela  

 

Grave

 

      Busco a luz da

matriz

         pintura

goiva

    provoca séries

facas cortam:

   tenho merdas

de poetas internos

     e arrisco falar

bonito

  pra que se

   comunico além

do brilho

    que  fala comigo

    por paredes

            ilustradas  

com pitadas

        manifestas

vou reduzindo

       sem licença mesmo  

já vi amigos lendo

    tudo um pouco

         

             e por que não eu

 

com ou sem imagens

    que transmitem fala

            que tenta ser

                   bonito para

   o avesso que é

feio e nada merece

  que tenho de belo

     o sagrado anda rente

aqueles que nunca

           foram sagrados