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Título: Escrever crónicas
Caro leitor, Há quem adore,
vibre mesmo, com a confecção de crónicas - este género de texto que tem na
sua frente e que faz parte do dia-a-diados colaboradores dos jornais
locais ou nacionais. Existem muitos e bons colaboradores (no caso
presente, a Tribuna tem vários, felizmente), que se prestam a este género
de texto com forte naturalidade. Mas confesso que esse não é o meu caso.
Sendo escritor, prefiro, sobretudo, textos longos, com tempo e espaço.
Estive prestes a escolher Jornalismo, quando terminei o 12º ano, mas vejo
hoje que não seria, longe disso, a melhor opção. Pois o jornalismo
necessita do imediatismo, da improvisação e da rapidez de escrita. Não seria para
mim. Redigir texto, sobre temas
diversos, diariamente, seria muito complicado para este vosso jovem
cronista. Nem imaginam a dificuldade que é para um cronista - aparte os
predestinados para este arte - ter que apresentar textos, de forma
ritmada, conjugando afazeres pessoais com a entrega atempada do texto ao
jornal em causa. Muitos optam por escrever sobre a semana que passou;
outros escrevem sobre um tema comum ou de estudo constante, enfim.
Cada qual demonstra as suas melhores qualidades e artes na confecção
de crónicas. Gosto, particularmente, de saber que, um pouco por todo
o país, milhares de cronistas produzem, diária ou semanalmente, uma
quantidade impressionante de textos sobre os mais variados temas.
Inclusivamente, juntando-se aos jornais impressos, nasceram os
jornais virtuais e, mais uma vez, temos um determinado número
(incalculável, por sinal) de confeccionadores de textos, unindo palavras e expressando ideias. Mais recentemente, surgiram os
famosos Blogs que permitem a que todos possam, da melhor forma possível,
expressar vontades. Alguns tornam-se mais famosos que outros mas,
regra geral, estão condenados à errância virtual e, inclusivamente,
a nunca terem mais do que um leitor (o próprio redactor).
Creio que este é um fenómeno passageiro e de pouca expressão no
futuro. Os números comprovam que, a pouco e pouco, o
mediatismo dos blogs tem diminuído. Não acredito no fim das
edições impressas. Os jornais, ao contrário dos arautos da desgraça,
não estão condenados a desaparecer. E para isso servem os cronistas
que são o elo de ligação entre a população (leitores) e o próprio
órgão de comunicação social. Quanto a mim, caro leitor, apesar das
dificuldades para redigir crónicas, sinto-me extremamente feliz e
orgulhoso por poder contribuir para que os jornais, sobretudo os
locais, possam continuar a sua função extremamente importante. E
bem-haja a todos aqueles que fazem o mesmo que eu, escrevendo para
outros, e principalmente para os que nos lêem, que são o que permite
que possamos continuar a praticar a nossa arte.
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