Meiotom - Crônicas


 

PEDRO SILVA

Título: Escrever crónicas

Caro leitor,
Há quem adore, vibre mesmo, com a confecção de crónicas - este género de texto que tem na sua frente e que faz parte do dia-a-diados colaboradores dos jornais locais ou nacionais.  Existem muitos e bons colaboradores (no caso presente, a Tribuna tem vários, felizmente), que se prestam a este género de texto com forte naturalidade. Mas confesso que esse não é o meu caso. Sendo escritor, prefiro, sobretudo, textos longos, com tempo e espaço. Estive prestes a escolher Jornalismo, quando terminei o 12º ano, mas vejo hoje que não seria, longe disso, a melhor opção. Pois o jornalismo necessita do imediatismo, da improvisação e da rapidez de escrita. Não seria para mim.
Redigir texto, sobre temas diversos, diariamente, seria muito complicado para este vosso jovem cronista. Nem imaginam a dificuldade que é para um cronista - aparte os predestinados para este arte - ter que apresentar textos, de forma ritmada, conjugando afazeres pessoais com a entrega atempada do texto ao jornal em causa. Muitos optam por escrever sobre a semana que passou; outros escrevem  sobre um tema comum ou de estudo constante, enfim. Cada qual  demonstra as suas melhores qualidades e artes na confecção de  crónicas. Gosto, particularmente, de saber que, um pouco por todo o país, milhares de cronistas produzem, diária ou semanalmente, uma quantidade impressionante de textos sobre os mais variados temas.  Inclusivamente, juntando-se aos jornais impressos, nasceram os  jornais virtuais e, mais uma vez, temos um determinado número  (incalculável, por sinal) de confeccionadores de textos, unindo palavras e expressando ideias.
Mais recentemente, surgiram os famosos Blogs que permitem a que todos possam, da melhor forma possível, expressar vontades. Alguns  tornam-se mais famosos que outros mas, regra geral, estão condenados  à errância virtual e, inclusivamente, a nunca terem mais do que um   leitor (o próprio redactor). Creio que este é um fenómeno passageiro  e de pouca expressão no futuro. Os números comprovam que, a pouco e  pouco, o mediatismo dos blogs tem diminuído.
Não acredito no fim das edições impressas. Os jornais, ao contrário  dos arautos da desgraça, não estão condenados a desaparecer. E para  isso servem os cronistas que são o elo de ligação entre a população  (leitores) e o próprio órgão de comunicação social. Quanto a mim, caro leitor, apesar das dificuldades para redigir  crónicas, sinto-me extremamente feliz e orgulhoso por poder  contribuir para que os jornais, sobretudo os locais, possam  continuar a sua função extremamente importante. E bem-haja a todos  aqueles que fazem o mesmo que eu, escrevendo para outros, e  principalmente para os que nos lêem, que são o que permite que  possamos continuar a praticar a nossa arte.

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