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do descarrego - 20/08/03 |
carlos Pessoa Rosa |
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Faz
um frio afiado. Não me perguntem o motivo de não estar agasalhado. Começo
a acreditar em período crítico também para nós, homens. Gosto do mês de
agosto pela cantoria dos pássaros e pelo reflexo de cor prata que banha as
montanhas; luz refletindo em preguiçosos restos de névoa. No computador,
leio as manchetes dos jornais, assim é que decido se compro ou não o jornal
impresso. Na década de sessenta, setenta, sem computador, o povo ficava em pé
diante da primeira página do jornal exposto na lateral da banca. A grana
sempre foi curta para a maioria, escolhiam com cuidado. O jornal Notícias
Populares era o mais concorrido. Intelectuais e jornalistas criticavam a
linha editorial. Se apertar sai sangue, diziam. Estranha clareza que o tempo
e a idade nos traz. Hoje, não há diferença, todos atingiram o mesmo ideal.
Vender a qualquer preço. Quarta-feira, a manchete continua sendo a bunda do
Gerald Thomas. Vai preso ou não? O delegado abre ou não um processo?
Hipocrisia tupiniquim. Tanta bunda ao vivo, em outdoors... Por que não a do
Gerald? Qual o preconceito? Questão de tamanho? Talvez, uso. Branca
demais... Fosse ele, processaria a mídia por preconceito. Interessante é
ainda não terem entrevistado algum professor-doutor em bundas. Estranho...
Muitos já agiram assim. Até o papa já andou presenciando bunda lustrada.
Será que digo algum segredo? Não li uma crítica sobre a peça. Jornalismo
voyeur ressentido... Uma boa classificação para o jornalismo que nos
apresentam. |
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