Meiotom - Crônica


 

 

carlos Pessoa Rosa

MANIFESTAÇÃO REFERENTE AO ARTIGO DE LUCIANO MENDES DE ALMEIDA QUANDO DE SEU ARTIGO NA FOLHA: Tempo de eleições (12/8/06)

O Diabo da Barca 

Muito digna a posição do Bispo. Sentado em meu escritório, tenho diariamente pensado nos humildes, faço um balanço de meus últimos anos na política e vejo, com satisfação, que consegui movimentar muito dinheiro ao redor deles. Durante as eleições, distribuí mais de dez mil cestas com alimentos, o que, pelos meus cálculos, alimentou em média 40000 pessoas durante dois meses (foi o tempo da distribuição), tudo muito bem escondido como aconselha o Bispo, o que trouxe o padre da paróquia para o meu lado. Mas não foi só isso, dei trabalho para vários adolescentes (sei que não deveriam trabalhar, mas a lei é absurda em um país com tanta pobreza), foram meses entregando propagandas nas ruas, fizesse frio ou chovesse, mas valeu, alimentei outras tantas, o que me deu direito à reeleição. Quanto ao quesito saúde, arrumei consultas nos hospitais públicos para muitos parentes desse abnegados que me ajudaram. Já no poder, tenho me esmerado em propor leis que facilitem o contrato de ambulâncias, procuro participar de um modo direto e indireto dos programas de educação e saúde, li e reli Vidas Secas de Graciliano Ramos para entender que muita coisa mudou no país, portanto, discordo totalmente desses atrevidos que saem para tentar a vida lá fora, devemos manter nossos jovens nessa terra abençoada por Deus, e, enquanto Ele não chega, vou levando, livrando-me do Diabo da Barca, sendo solidário, amando esse povo servil a todos os poderes.

Quanto ao Bispo, de coração, que ele se recupere, com a esperança de que a cura lhe devolva o mundo real, não o da fantasia, que é bom dizer, todos gostamos de viver.

 

De um político solidário e atuante, que espera sigilo de confissão, seja lido pelo Bispo ou por aquele que se apossa de seus dizeres.

 

Em tempo: Não sou um bom peixe, segundo Vieira, não consigo ouvir sem falar... Também é lógico que aquele que fala deve estar preparado a ouvir.

 

p/ Carlos Pessoa Rosa