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NADA DE SAL NEM AÇÚCAR EM SAIS: POESIA NA MEDIDA CERTA

 

Luiz Otávio Oliani*

 

A boa literatura é reinvenção. Que o diga o autor de SAIS, Rogério Salgado, corroborado, de plano, por Rodrigo Starling que abre o livro ao dizer que: “o poeta reinventa a si mesmo, verbalizando com originalidade.

Na parte I do livro, Salgado faz uso da matéria-prima de que se reveste a arte literária: a palavra, dedicando-a aos leitores que se comprazem quando diz: a palavra afiada / corta quando abro / o verbo.

A feição metalinguística está em SOB A NOITE” ao dizer: “cada um busca seu poema / acreditando nas incertezas / que o amanhã nos dá.”

Porém, os poemas não se fecham sob esta temática. Muito pelo contrário, transitam pela filosofia com “POEMINHA FILOSÓFICO”, pela fotografia (“PALCO VAZIO”), pelo viés político (“POEMA PARA NÃO ESQUECER UM TEMPO”) e pela lírica (“OITETO AMOROSO”).

Já na segunda parte do livro, dedicado aos críticos, Rogério Salgado opta por poemas de feição concreta ou práxis. Neles, prevalece ora o jogo verbal, ora não verbal entre o silêncio das letras e das mensagens subjacentes, implícitas àquilo que se propõe.

Ao introduzir números, letras de outros alfabetos como o grego e o árabe, desenhos (uma caneta, um lápis) e até sinais gráficos da língua portuguesa, tudo em “GUERRILHA LINGUÍSTICA 2”, o poeta propõe uma análise sobre o duelo da produção intelectual quando se vê com o desejo de escrever, mas está impedido de fazê-lo, por conta da secura em que se encontra, já que a palavra vem até o poeta, geralmente, e não é ele que vai até ela.

Em “POEMA PARA SER RECITADO EM SILÊNCIO”, há uma recorrência de Rogério Salgado em Machado de Assis, quando em Memórias Póstumas de Brás Cubas, nos capítulos 55 e 139, de Assis interrompe a estrutura linear do romance para deixar as entrelinhas para o leitor. Salgado bebe deste recurso para mostrar aos críticos que a estes cabe o papel de analisar a produção contemporânea, com olhar aguçado de inspiração dos clássicos. Porque o poeta de hoje é o verdadeiro resultado de sua própria vivência, acrescida do próprio arcabouço cultural, do cânone literário que estudou para a produzir a obra individual.

A inteligência está em “SENTIDO” na construção de um quadrilátero verbal que aguça os olhos num jogo linguístico que exalta a palavra.

Em “POEMA AQUÁTICO”, o desenho em forma de um animal dialoga com os nomes de peixes inscritos do corpo do bicho. Há, portanto, uma união que vai além do visual e da escrita.

Múltiplas são as leituras acerca de SAIS. O livro prova, enfim, que a literatura de qualidade se faz com a palavra talhada à mesa, tal como faz Rogério Salgado.

 

*LUIZ OTÁVIO OLIANI consta em 55 antologias de literatura e 300 publicações entre jornais, revistas e alternativos. Publicou Fora de órbita (Ed. da Palavra, 2007); Espiral, Ed. da Palavra (2009) e A eternidade dos dias, Multifoco, 2012. Contato: oliani528@uol.com.br

RJ 10/8/2012

 

Para adquirir SAIS, basta depositar R$ 15,00 na conta 091915-2 – Agência 081 do Bradesco – Titular: Rogério Salgado da Silva e comunicar pelo e-mail: poetarogeriosalgado@yahoo.com.br com o endereço para envio, ou enviar o mesmo valor em espécie para a Caixa Postal 836 – Belo Horizonte-MG – Cep: 30.161-970, comunicando o desejo de receber o livro