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A POESIA ROMÂNTICA DE EVERARDO ANTONIO TORRES GLEZ DO MÉXICO

SILAS CORRÊA LEITE

 

-A Poesia de amor e sensibilidade de E. Antonio Torres Glez, de Duranguito, México, traduz um estado de espírito entre solitário e nostálgico, entre melancólico e romântico, entre saudade e esperança. Nessa divisa lírica ele viaja o elenco de palavras, construindo a galáxia de poemas de sua alma doce. O deleite de criar rumos com remos íntimos.

 

-Com sua guitarra noturna, outonal, ele vai embalando a sua própria solidão-albatroz, conduzindo o seu enfoque latino sobre a dor, o insaciável, as lembranças do alforje da memória revisitada, pincelando assim sua aquarela de diversos tons e matizes. Janelas da alma.

 

-Canta o amor – e a ausência dele. Solos de solidão, cristalizando a carência que, à meia noite não é lótus zen, mas expectativa de amar e ser amado, de entrega, de sedução, de devaneios, de barcos encalhados no peito-solidão.

 

-A mulher amada. A mulher impossível. A travessia entre uma entrega e a perda. A tessitura de uma mulher ideal, fêmea-fatal – Soledad, Guadalupe? – na sua angústia de revisar a seqüela do íntimo transido, mais perseverando a lucidez além do vento que engloba o reino das palavras e tantos lastros delas.

 

-O fazer poético de E. Antonio Torres Glez tem o tear do imaginário, o cálice das doces memórias de reserva pessoal, o facilitador do sonho e da busca, erguendo um livro suntuoso e enriquecedor. Com um certo diapasão par ser arauto do amor, e suas miragens, ou milagres.

 

-Versando sobre pássaros e trigais, também almeja os seios da mulher desejada, e assim abre a fronha da madrugada com seu manto auroral, para o seu olhar entre a chuva e a for – mas ainda rico seco esperando o ensinamento-madrigal das águas, talvez prevendo a canção de um outubro qualquer, feito um rouxinol solitário. O poeta e seu crisântemo interior produzindo epifanias.

 

-Os poemas-lágrimas, as estrelas que dormitam em seu colo semeado de versos, os sonhos de um abril vindouro, os tangos e os versos em pranto com um dolente ritmo latino, entre desesperos e imagens ricas de pertencimentos auditados, desesperanças vividas e galanteios em preparo de conquista.  Os momentos de enlevos do amor vivido, a poesia corpo-terra, as xícaras de tempestades, o café poético de um arlequinal romântico procurando num catavento, a seda-cipoal de palavras que o digam vivo e sequioso para pleno conjugar o verbo amar...

 

-Telúrico, volátil, nuvens e arenas, poentes e borboletas, pães e girassóis, salinas íntimas, a poesia tez chão de Everardo Torres, mistura-se ao sentimentalismo do homem pós-moderno, sedentário, e sua retórica como navalha na carne, louvando o verbo amar com maestria, mas caído na malha dele, casulo dele, noturno dele, como a navegar em alcovas celestes.

 

-As noites em Durango, México, e o chile da solidão-andaluz, quase cigana.  As noites são oficineiras de arames próprios?. As palavras são tijolos vermelhos, instrumentais, o cata-vento da imaginação ferida gerando belas imagens, metáforas, num ninhal de águas entre brotos de olhares, quilhas de anseios, violinos de entrelaçamentos e solos de saudades.

 

-Essa é a poesia de Everardo Torres (como carinhosamente o  chamo, hermano virtual-espiritual). Poesia rica e lírica. Alma respirando luz. Palavras diretas do dique náutico ao seu pertencer-se, valendo-se da poesia-chã para entalhar o bisturi na alma-nau.

 

-O poema fértil, nas engrenagens dessa vida às vezes tão áspera, em terras áridas para sensibilidades. Mas Everardo Torres canta o amor, a seiva das ramagens dele.

 

-E dele nos faz ouvidores, cientes de como traduz um sentimento pedrês em sinal de trânsito imagético.

 

-Poesia viçada em carne viva e alguns ossos do ofício. Mas, sempre ele mesmo: sentimental, romântico, colocando açúcar nos seu poemas-lágrimas, dando testemunho lúcido e altamente criativo de resistência.

 

-E assim vale a pena viver, criar, amar e ser amado. Ainda mais sendo médico, sabendo à carne e valendo-se do bisturi da alma humana para construir poemas como documentos de construções espirituais.

 

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Box

 

Livro Catavento – Gênero Poesia Latino-Americana Contemporânea  Edição Bilíngüe Espanhol/Português

Autor Everardo Antonio Torres Glez

Editora  El Taller Del Poeta – Espanha 2003

Ilustração Fernando L. Peres Poza

Traduções: Anibal Beça e Maria José Limeira (Brasil)

 

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Poeta Silas Corrêa Leite – Itararé, São Paulo, Brasil

E-mail: poesilas@terra.com.br