Meiotom - resenhas


 

cofre

deise assumpção

A poesia que vai neste Cofre de Deise Assumpção, primeiro livro da autora, afirma uma fala consciente: transparece que uma longa meditação sobre (e sob) os versos aplaca quaisquer marcas de estréia. E em sua base está o jogo hábil de conter - sob palavras pensadas, linhas contidas, fôlego medido - o jorro da memória daquilo tudo que cruzou sua vida, não apenas os fatos marcantes, mas principalmente a alienação da rotina e dos encargos de mãe-mulher-professora, o que constitui uma densa matéria (experiência, existência) sobre a qual, para Deise, qualquer discurso é complexo e exige um escavar das feridas.

(...)o Cofre está aberto: basta trazer outra chave, aquela a que se refere a irrotorquível pergunta de Drummond com que Deise Assumpção epigrafa apenas uma das valiosas peças de seu livro, mas que a todas elas protege.

Tardo de Melo (na apresentação do livro)

Editora Alpharrabio Edições - www.alpharrabio.com.br

 

Endereço autora: Araraquara, 121 - J. Pedroso - Mauá - SP - deiseassumpcao@uol.com.br ou deiseassumpcao@bol.com.br

VIAGEM-IMAGEM

Da arapuca brota o pássaro
cor de terra
e alçapão.
Voa verde, vôo azul
escapando do teu sonho.
Abro os olhos bem no sono,
vejo o ecuro e faz-se a luz
Em estrelas-flores-violetas

SEQÜELA

Sempre
a adaga alopática
na goela
do soco

Rugas
de lágrimas torcidas
no travesseiro

Toda manhã
de cara
passada a ferro

E o verso
infecto
de melodia
em esforço homeopático