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TÂNIA DU BOIS

                   

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"O TEMPO NÃO APAGOU"

por Tânia Du Bois

 

          Um país sem memória, não tem história. A história deve ser conhecida e construída com interesse cultural. Por isso, vale a pena lembrar o poeta afro-descendente Francisco Solano Trindade (24.06.1908), o "poeta do povo".

          Foi o primeiro poeta brasileiro que soube interpretar com sentimento o verdadeiro sentido da poesia afro-descendente. Foi fundador do Teatro Experimental do Negro (1945) e, ao lado sociólogo Edson Carneiro, fundou o Teatro Popular Brasileiro (1950). Segundo o crítico Sérgio Milliet: "... poucos fizeram tanto quanto ele pelo ideal da valorização do negro".

          O primeiro livro de Solano foi Poema de Uma Vida Simples. Depois, lançou Seis Tempos de Poesia, Cantares ao Meu Povo e, por último, Canto de Esperança, onde deixou para nós algumas palavras mágicas:

 

                                  "Estou conservado no ritmo do meu povo

                                   Me tornei cantiga determinante.

                                  E nunca terei tempo para morrer"

 

          Como descreveu Mário Quintana: "O livro traz a vantagem de a gente estar só e ao mesmo tempo acompanhado". Então, sempre estaremos acompanhados de Solano Trindade, que nos deixou em 19 de fevereiro de 1974.

          Ao resgatar a memória de Solano Trindade e a sua poesia, vejo grande oportunidade para conhecer melhor a genialidade de artistas que marcaram aquela época. Para consagrar o inesquecível poeta, presto homenagem através do nosso querido sambista, Paulinho da Viola, em O Tempo não Apagou:

                                  "... teu nome em chamas no meu pensamento

                                   Enquanto houver esta saudade

                                   no meu peito

                                   Só resta ao vento minha dor."

 

          É com alegria que celebro esse encontro, pois, são pessoas como eles que valorizam a raça e tornam a nossa poesia literatura inesquecível e, na história, uma lembrança que não se apaga.