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Viagem à roda do Joseph Língua

 

Maria Alice Amorim

  

Narrata Refero, Hermano Hoy, Joseph Língua, Pedro Américo de Farias: vozes de um mesmo ego-alter-ego cáustico, que foi e não foi exilado, que foi e não foi a Woodstock, que se rebela em alquimia de algaravias, desfragmentando signos, decifrando encruzilhadas.

Visceral outsider em intermitentes diásporas, estilhaça códigos, com acidez e destemperança, nessa babilônia ficcional chamada realidade. O balaio de personas, de figuras, oferecido ao leitor à maneira de um ambrósio de cavalo-marinho, é um matolão de autorais colagens pop, surpreendentes, desconcertantes.

Pícaro, faz questão das heresias, da dessacralização, derribando o marco do meio mundo de toda a canônica discurseira sensaboria. Romancinho afiado na lavoura arcaica e outros lavores artísticos da palavra, vai andarilhando em prosa e verso a solidão e inquietude das vozes poéticas de um língua soturno, explosivo, exuberante.

Onde anda o prumo desse super-barroco sertanejo em cigania pelas malazartes da literatura? “À deriva pelo interior do mundo da fábula e do pensamento, em busca da imaginária República da Poesia”, anda em busca de alguma coerência cromática nesse palimpsesto à Sherazade?

Peregrinações de um viageiro em circulações centrífugas distanciam, deliberadamente, nosso anti-herói dos recatados salões de arte. Viagem iconoclasta, com muitos fios de meada tramando e tecendo versos, solilóquios, sarcasmos, nosso anti-herói prega peça nos desprevenidos, sacode e estraçalha coerências.

Disfarçada de nonsense essa viagem leva a recônditos de aridez e mordacidade, umidade de chuvas e rebelião de ventos, lirismos e desmontes. A paisagens demasiado humanas de angústia universal.