| Meiotom - resenhas |
|
|
TÂNIA DU BOIS |
ENTRETANTOS...
por Tânia Du Bois
Ator: Alain Delon, suspiros...
Cantora: Elis Regina, saudades...
Compositor: Chico Buarque, gênio...
Escultor: Bez Batti, a revelação...
Pintor: Joan Miró, a expressão livre...
Escritor: ...ENTRE TANTOS... o mestre Jorge Luis Borges. Passeando em Buenos Aires pude desfrutar em cada livraria, reviver em cada pedaço da cidade, na rua com o seu nome, em cada canto a sua magia e, ao visitar o Centro Cultural Borges, a poesia se completa em “La Magia de Miró”.
Joan Miró foi um artista plástico que expressou suas idéias, fazendo convergir a doçura com a violência, a claridade com a obscuridade e a alegria...
Segundo Flora Süssekind: Miró tem sua linguagem pictórica, a objetivação indireta, via pintura, de questões estéticas decisivas voltadas para o seu trabalho poético. Preocupou-se com o tempo, o movimento e de uma forma estática de focalização, seguido da observação da sintaxe constelatória, da linha solta, em ziguezague. Ele trabalhava por meio do desdobramento e do tensionamento interno das imagens e do descentramento da observação e de seriais de composição.
Todas as suas obras possuem títulos. Depois de secar a tinta, ele desenhava símbolos que os levava à um significado, uma reflexão. Nas suas obras, se interpreta o fluído do inconsciente, antes que se faça consciente. E, para André Bretton, o inconsciente é a dimensão da existência estética.
Em sua apreciação, disse: “Trato de aplicar colores como palabras que forman poemas, como notas que formam musica”.
Miró foi igual a um poeta, plasmando seus sentimentos sobre o papel. Ele disse que “... a pintura e a poesia se acham como se acha o amor; um intercâmbio de sangue, uma entrega total, sem nenhuma prudência, sem nenhuma proteção.”
Assim, a fusão entre a poesia e a pintura dá maior ilustração à obra poética, tanto quanto a música e as estrelas ocupam um papel na poesia que se alheia à realidade.
No Centro Cultural Borges, encontrei um mundo mágico, porque poético, do qual passei a fazer parte. E, para criar esse novo mundo, mais alegre que a realidade, como fez Miró, trago a poesia de Borges:
“...
poderia ser a tarde de ouro,
o homem dispõe os livros
nas prateleiras que aguardam
e sente o pergaminho, o couro, a tela
e o prazer que dão...
...
mas na tarde que é talvez de ouro
sorri perante o curioso destino
e sente essa felicidade peculiar
das velhas coisas amadas.”