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MIGUEL TORGA
Por ALBERTO DA CUNHA MELO 

"(A poesia) é a exploração da materialidade das palavras e das possibilidades de organização das estruturas verbais."  João Cabral de Melo Neto (1882 –1948) 

 

© Revista Continente Multicultural, n. 77,  maio de 2007. Coluna MARCO ZERO, Ilustração de Bueno.

 



            Meu amigo Pedro Vicente emprestou, a mim e a Cláudia, quatro volumes da obra de Miguel Torga, que é volumosa nos campos da ficção, poesia, teatro, textos doutrinários e ensaios. Como pelo gigante se conhece o pé, os quatro volumes não me fazem um especialista, mas apenas um mero admirador. Duvido que as novas gerações o conheçam. Quando tinha 12 anos, trouxeram-lhe para o Brasil, onde passou a sua adolescência, e foi levado de volta para a terrinha em 1925, 13 anos depois. Não teve, propriamente, vida literária em nosso país. Miguel Torga é seu pseudônimo, pois seu nome verdadeiro era Adolfo Correia Rocha, nascido em São Martinho de Anta, em 12 de agosto de 1907, e falecido, em Coimbra, em 1955. Ele se foi com apenas 48 anos. Este ano é o do centenário do seu nascimento, e uma das homenagens mais duradouras será o projeto Espaço Miguel Torga, que custará um milhão de euros à prefeitura de Sobrosa e que ficará situado em São Martinho da Anta. 

        Trechos de sua obra são frequentemente citados nos discursos dos políticos e autoridades, assim como acontece com a obra de Drummond. Escritor prolífico, que se deu bem em todos os gêneros, é como poeta que é mais admirado em um grande número de países ocidentais e orientais. Sua poesia, ou grande parte dela, está nos 16 volumes do Diário ou livros autônomos. 

       Fazer uma resenha sobre a obra de um poeta de grande magnitude, como Miguel Torga, obriga-nos, e meus milhões de leitores o sabem muito bem, em transcrever um pequeno fragmento de sua obra: 



Maceração 


Breves dias da vida. 
Aprendi neles apenas a morrer. 
Desde a manhã brumosa da partida 
A este anoitecer 
Sombrio da chegada, 
Foi sempre o pesadelo de antever 
O desfecho fatal da caminhada. 



E pergunto a quem vim 
Assim 
Clarividente. 
Perdido e consciente 
Da minha perdição, 
Contra o instinto de conservação 
A durar no meu corpo eternamente. 



           Eis uma linguagem meio-clássica, mantendo o costume tradicional de colocar, inclusive, em letras maiúsculas as iniciais de cada verso. No entanto, o poeta optou por estruturar seus poemas em versos livres. Por falta de ritmo, eu costumo chamar tal tipo de poema de crônica lírica, sem com isso interpor nenhum critério de valor, cada texto valendo por si mesmo. A linguagem de Torga é clara, limpa. No entanto, ela difere da de Juan Ramón Jiménez e Antonio Nobre, por exemplo, por constituir-se de certa densidade espiritual. É possível que entre os muitos seminários e palestras que serão realizados nos vários países que vão homenagear o grande poeta português, alguns deles talvez se interessem em confrontar a poesia dos três citados poetas latinos: Miguel Torga, Juan Ramón Jiménez e Antonio Nobre. Há muitas universidades envolvidas nas solenidades. 

         O Brasil, que já hospedou o poeta durante 13 anos de sua juventude, é um dos primeiros escolhidos para receber a grande exposição sobre a vida e a obra de Miguel Torga. Também está na agulha para receber a exposição a Universidade de Antuérpia, na Bélgica, segundo a delegada Regional de Cultura do Norte, Helena Gil. As perspectivas sobre a adesão de novos países e a captação de novos recursos fizeram os organizadores dos eventos não encerrarem mais as comemorações no dia 31 de dezembro próximo, mas prorrogá-las para 2008. 

         Homenagens internacionais a um poeta. Nem tudo está perdido. 

 

 

Leia tudo sobre o mais recente lançamento do autor:

 

ALFREDO BOSI: O cão de olhos amarelos (orelhas) DEONÍSIO DA SILVA: Gosto de ler Alberto da Cunha Melo (prefácio) HILDEBERTO BARBOSA FILHO: Alberto da Cunha Melo, grande pecador ou seis propostas para uma nova leitura (pósfácio)Tradição dos extremos (editoria da revista Continente Multicultural. Recife: CEPE, ed. n. 64, abril de 2006"A poesia não é uma mercadoria". IVANA MOURA entrevista Alberto da Cunha Melo. Diario de Pernambuco, Recife, domingo, 07 de maio de 2006, Caderno Viver, p. 08. Alberto da Cunha Melo. 40 anos de poesia, por ASTIER BASÍLIO. Augusto, suplemento cultural do Jornal da Paraíba. João Pessoa, domingo, 07 de maio de 2006. Identidade e variantes de Alberto da Cunha Melo, por IZACYL GUIMARÃES FERREIRA (Portal da UBE-SP - Estudos e Resenhas) O cão de olhos amarelos, por WALTER CABRAL DE MOURA. Jornal do Commercio, Opinião, 06 de junho de 2006. A metáfora do vazio na poesia de Alberto da Cunha Melo , por LILIANE MARIA JAMIR E SILVA. Ensaio acadêmico inédito.  O cão de olhos amarelos, por ÁLVARO ALVES DE FARIA. Rascunho, 23 de junho de 2006. A técnica da escrita simples, por Henriques Rodrigues. Jornal do Brasil, Jornal do Brasil, 19.08.2006  Diálogo cortante com Kafka nos poços profundos da angústia, por IVAN JUNQUEIRA. O Estado de S. Paulo, 26 (domingo) de novembro de 2006. Caderno 2.

 

Homenagens: Alberto da Cunha Melo, por FRANCISCO SOARES. Colagem feita com versos de Alberto Ao mestre com total respeito, por ANTÔNIO MARINHO. Paráfrase do poema "Aos mestres com desrespeito", de Alberto da Cunha Melo "Heróis Brasileiros" , (Coluna Direto ao Assunto, do Jornal da Paraíba) JOSÉ NÊUMANNE PINTO O poeta imortal que não vemos, por URARIANO MOTA Alberto da Cunha Melo: Um ressuscitador da Poética, por André Maranhão Santos Alberto da Cunha Melo, por IVAN MARINHO. (Poema)

 

 

 
 

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