| Meiotom - resenha |
|
|
Marcelino Freire - Rasif: mar que arrebenta |
carlos pessoa rosa |
|
O que faz este vermelho na capa? Na contracapa! Vermelho-escuro. Fêmea. Noturno. Secreto... Não expressão. Mistério. O vermelho que inquieta. Que tolera. Convida ao gozo. Mas também proíbe: Sinal fechado. Fogo visceral. Esotérico. Vermelho uterino. Fúnebre. Mênstruo. Fêmea: Da paz. Iniciático? Vem do fundo da Terra o canto. Imagem adusta em terra vermelha, pedras e rochedos. Ilhotas. Cantos de sereias sem mar. O mundo sem Freud. Mundo carne, pele e orgasmo. Grito que inquieta, mas tolera. Alma sem vestes. Cordel. Poesia. Perversidade infantil na pureza dos chamados de origem. O adusto. Sem perfumes ou adornos. Bocas-de-fogo. Nelson Rodrigues. Gardel. Urbanóide. Rural. Universal. Sem amor ou outros nascidos a Terra ainda é caos em luz de calor que queima e arde na pele: nenhuma sombra de asas da ave negra na Terra de ninguém. Nenhum filho da Noite... Roupa suja é o desejo exposto sem as artimanhas da moral cristã. Um atirar-se no abismo do novo. O futuro é o retorno à mãe-Terra. Descansar sob o manto do silêncio absoluto. Enquanto a obra segue, mosca voante na imortalidade. Com suas linhas-monstro. Sombras. Traços. Doré-Schieler tupiniquim. E vou... Carlos Pessoa Rosa
|