| Meiotom - reflexão |
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SANGUE DE ROMÃ |
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Pequena Resenha Crítica:
O Cênico do Livro “Sangue de Romã”: Derrama
PoéticaSilas Corrêa Leite“A
empatia para com os sentimentos cresce nos silêncios...” (Jorge
Coli – Historiador de
Arte) O
livro de poemas “Sangue de Romã” (Scortecci Editora, São Paulo, Primeira
Edição, 2004 - editora@scortecci.com.br) de Cida
Sepúlveda é incrível-intrigante e assim por isso mesmo também
surpreendente, até porque dela já falou até o Grã Mestre Manoel de Barros:
“Cida Sepúlveda é “escolha da natureza para ser poeta/Suas letras(...)
sabem onde ficar (nos versos) para criar encantamento e harmonia/Linguagem
com sabedoria (é enxuta e sem derramas(..)/É um
estilo(...)/Mistérios/Pintarias(...).” O belo (e algo metalinguístico?)
primeiro poema-crônica “O Texto na Mão de José” é a porta para o que
cantou Carlos Drumond de Andrade (Você tem a chave/Não existe a porta – “E
Agora José”), nas entrelinhas (e estrelícias) do poetar o jogo
self/irreal/surreal ali gostosamente bem dizível. Ela tem seu diapasão
lírico. O
Poema A Bruxa é o outro com/feito de palavras, a praça, a bruxa (a morte
vai acordar!). Tem seu jeito todo próprio de ser & de destilar
(derramas?) seu rosário, vinho-verbo: a roseira contra Deus. E entrega
perfumes. Misérias, sentimentos, rituais de acontecências em
poemas-crônicas. Carmins violados. Paisagens, definições. Ecos de. Quase
um levante (íntimo) do ser-se de si, para uma arrebentação do eu, dentro
da seda do sensível (poético) talvez cicatriz de pelica arejando mundos e
fungos (arames de descontruções), refrigerando a dor femina no
liquidificador de palavras com gume; acordes do coração no quorador das
almas. Cacos de buscas?
Cactos de rusgas? Raízes sem máscaras vindo à tona depois do atol
do inconsciente em refluxo de revisitares? Seus
poemas curtos (por assim dizer) são diferentes, refigurantes, preciosos.
Se
dos grandes também gostei, confesso que aqui e ali às vezes demonstram
passar do limite do razoável/compreensível (cansável) poético, embora eu
já (os) rotulei de poemas-crônicas,
como as baladas crônicas daquela cantora que
alardeava muito bem sensual
“das
rosas que dão no inverno...” Aparecida
Donizeti Sepulveda é rosa que dá no seco, corta as palavras com gilete e
borda-as de algum vasilhame de foro íntimo. Cascas de romãs escondem gomos
da memória? Quebrantos líricos com arquitetura estética. Quase música,
ritmo-seiva. A tal da Derrama na historicidade quase barroca, era o não
aceitar o imposto refutado. O lado trágico, o lado sensual, Regozijo de
Girassóis é o ápice. Romã tem sangue. Casca de ferida dessa fruta é a
desmordaça? Alma nua em palavras. Meio bossa-nova e meio refigurança de
pós concreto pop-coloquial. No
corote do coração há sagrados pêssegos cegos de tanto ver o invisível já
enfavado em lidas. Miçangas de vinagre (os olhos do ver) dizendo que
sobreviveu inteira e plena, no tudo a ser, amando e sendo sensível, ferida
mas mantendo-se pura no seu lado extremamente íntegro-criador. O sangue de
romã é então essa espécie de
derrama viva no inteirar-se (de sua alma nau) já em ponto de bala para o
seu lado meio ícaro. Claro, ora essa, pois nem toda poesia, afinal, é
açougue de lázaros. Cida Sepúlveda sobreviveu (dentro de si mesma) poeta e
ficcionista de mão cheia. Não há cemitérios de lágrimas para ilustres
guerreiras. Há bravuras de todos os assentos e
sentenças. Depois,
ainda, a dicotomia, dentro e fora, íntimo e lagar, secos e molhados de um
poetar entrincheirado - escondendo o que de quê? - para então bem dizer o
que não pode ser dito, ou soar o desespelho de um pensar/sentir/que
poderia não ser tão permitido quando tudo é vivível e válido. Afluências
(poema abaixo) supõe (num neologismo) uma poetna, mas, sabendo que não são
só lágrimas-lavas mas também tem o efeito disso e por aí mesmo
perigo-coxilha. O que será que será, diria o Buarque de
Hollanda. Vejam
o inédito poema (derrama), típico dela (romã), ela mesma o poema
cênico: Afluências Vou para a praia, mais
longe
Para o mar Afluente do
infinito Minha alma se
desdobra Devaneios e
razões Nas
trilhas das montanhas Fincar passos Labirintos de Deus
Coabitar Levo medos e
desejos Dispersos pelos
nervos A multidão ensolarada
Se me ouvir a
ansiedade Solidão
primordial Vai acordar. Cida Sepúlveda, acreditem, ainda escreve ficções também (quando ela é mais rica de palavreiros); belos contos que, ainda, claro, não cabem aqui – nas minhas releituras-escambos – de suas derramas líricas. Certamente devo voltar ao assunto de suas lindas contações que adorei ainda mais do que o seu belo poetar que também é fora de série. (O seu conteúdo humanus – artístico-cultural (prisma, talento, percepção além do normal) – é enormemente melhor valorado na prosa.) Mas falarei dessas narrativas em outro tempo, outro lugar, outro palco-íris, doutros criares. Serão futuras romãs em prosa, portanto. -0- Silas Corrêa Leite é autor do e-book O
RINOCERONTE DE CLARICE, no site www.hotbook.com.br/int01scl.htm - E-mail: poesilas@terra.com.br Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
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