| Meiotom - CONCURSO - RESULTADO |
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2006 |
POESIAS CLASSIFICADAS/TROFÉU NARA LEÃO DE POESIA
1º lugar
Ocarina
Tire teu casaco de névoa, Ocarina, e vem comigo ao porto.
A tarde está
cinza, Ocarina, para meu desconforto.
O que ecoa em ti?
Que canções tocam
aqui?
Nestas terras não há música, Ocarina,
só há a saudade das
harpas.
Vamos passear, que eu vou te dar um colar de algas,
e umas tranças de
mariscos.
Vamos fazer desenhos com os pés na areia,
vamos fazer
rabiscos.
Esta é tua chance.
Vem comigo à beira do Pacífico
oceano este
que tanto me intriga...
podemos beber vinho branco, comer caranguejos, milho
na espiga.
Sei que é difícil sair deste lugar
adormecido,
mas te prometo, Ocarina, é só desta vez e por curto tempo.
Acorda e vem
comigo ao porto.
Ao anoitecer, te asseguro, você já estará de
volta.
Grandiosa e tranqüila, lambida pelo vento sul,
guardiã de lavas
escondidas.
E tudo será tão remoto.
Todos poderão de novo,
admirar seus
cabelos de cobre e o oco de teu ventre.
Lá fora, a doçura da neve confeiteira
voltará a polvilhar-te inteira.
Mas isto será de noitinha.
Pois agora,
temos um encontro.
Vamos à praia, Ocarina...
Ocarina, vamos ao porto!
Gisela S. Furquim - São Paulo. Nasceu em São Paulo
2º lugar
Choro do anjos
a água que corta
o barro vermelho
do chão
da terra
é fluido que escorre
na cidade de tábuas
e desce as
encostas
serpenteado de lama
por entre os dedos
por entre as
camas
de papelão estendido
e lava os pêlos
dos corpos deitados
e
desde a garganta
forte de ferro
e sai pelos poros
pelo canto dos
olhos
lavando as mãos
ressequidas do tempo
postas moldando
os
jarros de barro
o oco
em brincadeiras e em verdade
o exemplo e a
metáfora
é tudo que existe
de valioso e resiste
milagreira
cortante
de pedras
Geraldo Lavigne de Lemos – Bahia.
3º lugar
Domínio
Eu domino o demônio do meu medo,
que me mostra os limites da
existência;
quanto a minha dor, eu guardo em segredo.
Mas jamais eu domino
a consciência:
a que me crucifica, tarde ou cedo,
a que me condena à
auto-penitência.
Tento fingir que o mundo é o meu brinquedo,
Mas a noite
me traz à própria essência.
Eu domino o fantasma da saudade
no peito
cravejado de paixão.
Mas o que me destrói sem piedade
habita as
profundezas da razão.
E me deixo engolir com crueldade
por um monstro
chamado “solidão”.
Renata Paccola -São Paulo –SP.
Menção honrosa
Contratempo
Não sei quando começou o
tempo,
sequer, o tempo que ele durará,
mas, eu preciso perceber, em
tempo,
qual é o tempo que terei, no tempo,
para fazer o que pretendo, a
tempo.
Não vou passar aqui somente um tempo,
na infinidade que o tempo
tem?
Se aproveitar o tempo e me tornar saudade,
no coração aberto de um
outro alguém,
deixo-o na vida para novo tempo.
Então somando todos nossos
tempos,
se, prosseguirmos a tornar saudade,
nossas saudades, formarão um
tempo,
por tanto tempo que nem sei contar,
porque por certo não terei mais
tempo.
Então, enquanto não me acaba o tempo,
até ficar apenas como uma
saudade,
vou me manter no máximo do tempo,
para aumentar a soma das
saudades,
salvo aconteça, assim... um contratempo!
Se não deixar meu tempo
no antetempo,
vou consumi-lo até nos entretempos,
para curtir milhões de
passatempos.
mas, se, eu partir no "raio" de um destempo,
serei saudade,
apenas, do meu tempo.
Condorcet Aranha - Joinville / SC