Meiotom - CONCURSO - RESULTADO


 

 

2005

o último dia 27 de abril a Fundação Cultural premiou os vencedores do VIII Concurso Literário de Poesia e II Concurso de Poesia Falada, em evento realizado na Sala Popular de Cinema Humberto Mauro.
     Assim como no último ano, os Concursos de Poesia estão abertos a participação de poetas do Brasil todo e a quantidade de inscrições de outros estados, neste ano, foi muito boa, tanto que dos três vencedores da poesia escrita, dois são do estado de São Paulo. Já no Concurso de Poesia Falada todos os vencedores são de Casimiro de Abreu.
Ainda para este ano, a Fundação Cultural está preparando o primeiro concurso de poesias para crianças, as datas e as regras estarão sendo publicadas brevemente e esta será mais uma oportunidade de descobrir talentos precoces que mantenham viva a chama da poesia na Terra do Poeta.
     Conheça os poetas e poemas premiados.


Poesia Escrita

1º Lugar
Ossos de Cristais
Autor: Darlan Alberto T. A. Padilha
Pseudônimo: Dimythryus
São Paulo

2º Lugar
E agora, João?
Autor: Cláudio Macedo da Costa
Pseudônimo: Condor
Casimiro de Abreu

3º Lugar
Fragmentos de Esperança
Autor: Mauro Martiniano de Oliveira
Pseudônimo: Luis Fernando
São Paulo

Poesia Falada

1º Lugar
Simples Ilusão
Autor: Adilson José Alves de Araújo
Pseudônimo: Rafa
Casimiro de Abreu

2º Lugar
A Noite e a Moça
Autor: Maria da Graça dos Santos Oliveira
Pseudônimo: Morenah
Casimiro de Abreu

3° Lugar
Ghost
Autor: Antônio Pedro da Fonseca
Pseudônimo: Beduíno
Casimiro de Abreu

Simples Ilusão
Adilson José Alves de Araújo

Há quem diga que sonhar
É barco solto ao vento de outono...
Há até quem diga que
O sonho é página virada
De algum livro esquecido
Numa estante!

Mas que ingratos!
O sonho é pássaro que brinca em gotas de orvalho
De prantos anônimos.

Sonhar é salpicar ilusões.
É morder a língua amarga do tempo e degustar fantasias...
Ah, como são injustos
Os que cobrem a face
No espelho...

O olho úmido do sonhador,
O reflexo da retina
É adubo audaz que faz abortar
Lágrimas fecundadas
Em ausências.

Do útero onírico da vida,
Nasce a sede da poesia.
Surge o reflexo no lago azulado
Da sensibilidade...
E bem lá, na parte mais funda,
Aflora o medo da realidade.

Quando tudo é verdade,
As torrentes que movem
Os moinhos pesados do desejo
São apenas volúpias geladas.

Quando tudo é sonho,
O silencioso pranto das partículas de sal dispersas
Em lago de águas mortas
Não são mais que
Simples ilusão.

Todo sonho é do tamanho do mundo...
E nada no mundo cabe num sonho.
A menos que se consiga navegar
No azul-anil da asa da borboleta
E beijar os lábios flagrantes da noite...

Ossos de cristais
Darlan Alberto T. A. Padilha

Impregnado ao papel
Minhas dúvidas submersas a tinta
Dizem coisas do silêncio
E apagam-se na luz do amanhecer.

As intermitências dos sentidos
Alternam as vozes de loucura
Meu rosto todo se evapora
E se solidifica a sua presença.

Ossos de cristais
Se perfazem
E parte de mim são flores
Outras apenas galhos secos.

O papel, agora ferido
Trás sobre a pena suas fendas gravadas
O odor da coisa bela brilha
O olor da primavera ilumina.

Nas intermitências
Sou grão de saudade rumo à lua
Sou sorriso irradiado do sol
Sou páginas feridas.

E agora, João?
Cláudio Macedo da Costa

João não era santo, mas era de Deus
(era ainda um anjo)
João não era profeta, mas tinha futuro
(João teria futuro...)
João não era Gilberto nem era Bosco, mas teria talentos
João não era Goulart, mas seria forte
Pobre João, não mais ouvirá a previsível e indispensável pergunta:
- O que você vai ser quando crescer?

Será que João seria poeta e faria música?
Seria músico e cantaria poesias?
Seria corajoso e plantaria mudanças?
Seria ousado e tentaria o novo?
Sxeria doutor e salvaria vidas?
Seria ator e viveria outras vidas?
Mas como, se lhe roubaram o seu próprio e intransferível papel?

Tantas possibilidades, tantos caminhos e mais nada para João.

João foi arrancado dos braços da vida estupidamente.
O acaso ou o descaso?

João não sabia que só viveria até os seis anos
João tinha planos (pra muito tempo)
João tinha sonhos, infinitos sonhos
Mas um pesadelo fez dele refém e ninguém conseguiu acordá-lo pra dizer:
- Está tudo bem!

Os planos se foram, os sonhos se foram, o riso, o olhar (a vida)

- E agora João? - diria Drummond
A luz se apagou, o dia não veio, o sol não nasceu...
A noite é pra sempre?
E agora João?

João era um no meio de tantos, alvo da covardia de muitos
Não foi primeiro nem será o último (até quando?)

João não era Paulo nem Luís nem Gabriel
João não sera Pedro
João era Hélio
Mas poderia ser qualquer um

João é tantos
João é todos

Deus o tenha, João.

A Noite e a Moça
Maria da Graça dos Santos Oliveira

A noite cai e a moça na janela já não é

Parece feita de cera
A moça debruçada na janela

A noite destruiu seus sonhos
Desbotou-lhe a esperança

O que outrora era contentamento, jovialidade, frescor da manhã
Agora denota melancolia

Hoje acha-se macilenta pelo negrume da noite que a deixou refém de um querer insano

A noite, a moça escravizou, amarelecendo seus devaneios, seus anseios, deixando-a impassível ante a sombria existência da amargura.

Da moça, os olhos já não miram alvoreceres, esmaeceram, embotaram

De sua janela contempla o nada - tão perto do fim

O choro não vem
O riso se foi

Hoje, ela é só a moça debruçada na janela.

.Ghost
Antônio Pedro da Fonseca

Ghost, seu nome, meu melhor amigo
Alma gentil, amor em branco pêlo
Por mais que eu tente, eis que não consigo
Matar a mágoa enorme de perdê-lo

Parecia tão fácil esquecê-lo
Já que tão pouco aqui ficou comigo
Mas em meus sonhos, continuo a vê-lo
Como na hora do mortal perigo

Moribundo ali, na negra estrada
O olhar confuso, a boca ensangüentada
Como se quisesse me pedir perdão

Sofrendo então por me deixar sozinho
Na despedida, um gesto de carinho
Tentou meu amigo me lamber a mão

Fragmentos de Esperança
Mauro Martiniano de Oliveira

Só porque era Domingo
o vento trouxe seu perfume
pelo ar.
Suas coisas ainda estão aqui,
normais pelos cômodos da casa,
exalando seu cheiro, suave aroma
a me torturar.

Fiquei na esperança que você
sentisse falta e voltasse
para buscá-las,
e então, mais uma vez guardei-me,
lapidando meu corpo e meu ser,
para novamente, de bem,
poder abraçá-la.

Mas esse foi só mais um Domingo
de sua ausência que sonhei
na janela,
pois na inquietude da rua,
quem passa e olha, já associou
a minha imagem emoldurada
pela longa espera.

E só porque era Domingo
a saudade trouxe a fragrância
de sua doce lembrança.
Suas coisas ainda estão aqui,
anormais pelos cômodos da alma,
exalando em minha mente
fragmentos de esperança.