o último dia 27 de
abril a Fundação Cultural premiou os vencedores do VIII Concurso Literário
de Poesia e II Concurso de Poesia Falada, em evento realizado na Sala
Popular de Cinema Humberto Mauro.
Assim
como no último ano, os Concursos de Poesia estão abertos a participação de
poetas do Brasil todo e a quantidade de inscrições de outros estados,
neste ano, foi muito boa, tanto que dos três vencedores da poesia escrita,
dois são do estado de São Paulo. Já no Concurso de Poesia Falada todos os
vencedores são de Casimiro de Abreu.
Ainda para este ano, a Fundação
Cultural está preparando o primeiro concurso de poesias para crianças, as
datas e as regras estarão sendo publicadas brevemente e esta será mais uma
oportunidade de descobrir talentos precoces que mantenham viva a chama da
poesia na Terra do Poeta.
Conheça os
poetas e poemas premiados.
Poesia
Escrita
1º Lugar
Ossos de
Cristais
Autor: Darlan Alberto T. A. Padilha
Pseudônimo:
Dimythryus
São Paulo
2º Lugar
E agora,
João?
Autor: Cláudio Macedo da Costa
Pseudônimo: Condor
Casimiro
de Abreu
3º Lugar
Fragmentos de
Esperança
Autor: Mauro Martiniano de Oliveira
Pseudônimo: Luis
Fernando
São Paulo
Poesia
Falada
1º Lugar
Simples
Ilusão
Autor: Adilson José Alves de Araújo
Pseudônimo:
Rafa
Casimiro de Abreu
2º Lugar
A Noite e a
Moça
Autor: Maria da Graça dos Santos Oliveira
Pseudônimo:
Morenah
Casimiro de Abreu
3°
Lugar
Ghost
Autor: Antônio Pedro da Fonseca
Pseudônimo:
Beduíno
Casimiro de Abreu
Simples
Ilusão
Adilson José Alves de Araújo
Há quem diga que
sonhar
É barco solto ao vento de outono...
Há até quem diga que
O
sonho é página virada
De algum livro esquecido
Numa
estante!
Mas que ingratos!
O
sonho é pássaro que brinca em gotas de orvalho
De prantos
anônimos.
Sonhar é salpicar
ilusões.
É morder a língua amarga do tempo e degustar
fantasias...
Ah, como são injustos
Os que cobrem a face
No
espelho...
O olho úmido do
sonhador,
O reflexo da retina
É adubo audaz que faz
abortar
Lágrimas fecundadas
Em ausências.
Do útero onírico da
vida,
Nasce a sede da poesia.
Surge o reflexo no lago azulado
Da
sensibilidade...
E bem lá, na parte mais funda,
Aflora o medo da
realidade.
Quando tudo é
verdade,
As torrentes que movem
Os moinhos pesados do desejo
São
apenas volúpias geladas.
Quando tudo é
sonho,
O silencioso pranto das partículas de sal dispersas
Em lago
de águas mortas
Não são mais que
Simples ilusão.
Todo sonho é do
tamanho do mundo...
E nada no mundo cabe num sonho.
A menos que se
consiga navegar
No azul-anil da asa da borboleta
E beijar os lábios
flagrantes da noite...
Ossos de
cristais
Darlan Alberto T. A. Padilha
Impregnado ao
papel
Minhas dúvidas submersas a tinta
Dizem coisas do silêncio
E
apagam-se na luz do amanhecer.
As intermitências dos
sentidos
Alternam as vozes de loucura
Meu rosto todo se evapora
E
se solidifica a sua presença.
Ossos de
cristais
Se perfazem
E parte de mim são flores
Outras apenas
galhos secos.
O papel, agora
ferido
Trás sobre a pena suas fendas gravadas
O odor da coisa bela
brilha
O olor da primavera ilumina.
Nas
intermitências
Sou grão de saudade rumo à lua
Sou sorriso irradiado
do sol
Sou páginas feridas.
E agora,
João?
Cláudio Macedo da Costa
João não era santo,
mas era de Deus
(era ainda um anjo)
João não era profeta, mas tinha
futuro
(João teria futuro...)
João não era Gilberto nem era Bosco,
mas teria talentos
João não era Goulart, mas seria forte
Pobre João,
não mais ouvirá a previsível e indispensável pergunta:
- O que você vai
ser quando crescer?
Será que João seria
poeta e faria música?
Seria músico e cantaria poesias?
Seria
corajoso e plantaria mudanças?
Seria ousado e tentaria o
novo?
Sxeria doutor e salvaria vidas?
Seria ator e viveria outras
vidas?
Mas como, se lhe roubaram o seu próprio e intransferível
papel?
Tantas possibilidades,
tantos caminhos e mais nada para João.
João foi arrancado dos
braços da vida estupidamente.
O acaso ou o descaso?
João não sabia que só
viveria até os seis anos
João tinha planos (pra muito tempo)
João
tinha sonhos, infinitos sonhos
Mas um pesadelo fez dele refém e ninguém
conseguiu acordá-lo pra dizer:
- Está tudo bem!
Os planos se foram, os
sonhos se foram, o riso, o olhar (a vida)
- E agora João? -
diria Drummond
A luz se apagou, o dia não veio, o sol não
nasceu...
A noite é pra sempre?
E agora João?
João era um no meio de
tantos, alvo da covardia de muitos
Não foi primeiro nem será o último
(até quando?)
João não era Paulo nem
Luís nem Gabriel
João não sera Pedro
João era Hélio
Mas poderia
ser qualquer um
João é tantos
João
é todos
Deus o tenha,
João.
A Noite e a
Moça
Maria da Graça dos Santos Oliveira
A noite cai e a moça
na janela já não é
Parece feita de
cera
A moça debruçada na janela
A noite destruiu seus
sonhos
Desbotou-lhe a esperança
O que outrora era
contentamento, jovialidade, frescor da manhã
Agora denota
melancolia
Hoje acha-se macilenta
pelo negrume da noite que a deixou refém de um querer insano
A noite, a moça
escravizou, amarelecendo seus devaneios, seus anseios, deixando-a
impassível ante a sombria existência da amargura.
Da moça, os olhos já
não miram alvoreceres, esmaeceram, embotaram
De sua janela
contempla o nada - tão perto do fim
O choro não vem
O
riso se foi
Hoje, ela é só a moça
debruçada na janela.
.Ghost
Antônio Pedro da Fonseca
Ghost, seu nome, meu
melhor amigo
Alma gentil, amor em branco pêlo
Por mais que eu tente,
eis que não consigo
Matar a mágoa enorme de perdê-lo
Parecia tão fácil
esquecê-lo
Já que tão pouco aqui ficou comigo
Mas em meus sonhos,
continuo a vê-lo
Como na hora do mortal perigo
Moribundo ali, na
negra estrada
O olhar confuso, a boca ensangüentada
Como se quisesse
me pedir perdão
Sofrendo então por me
deixar sozinho
Na despedida, um gesto de carinho
Tentou meu amigo me
lamber a mão
Fragmentos de Esperança
Mauro Martiniano de Oliveira
Só porque era
Domingo
o vento trouxe seu perfume
pelo ar.
Suas coisas ainda
estão aqui,
normais pelos cômodos da casa,
exalando seu cheiro,
suave aroma
a me torturar.
Fiquei na esperança
que você
sentisse falta e voltasse
para buscá-las,
e então, mais
uma vez guardei-me,
lapidando meu corpo e meu ser,
para novamente,
de bem,
poder abraçá-la.
Mas esse foi só mais
um Domingo
de sua ausência que sonhei
na janela,
pois na
inquietude da rua,
quem passa e olha, já associou
a minha imagem
emoldurada
pela longa espera.
E só porque era
Domingo
a saudade trouxe a fragrância
de sua doce lembrança.
Suas
coisas ainda estão aqui,
anormais pelos cômodos da alma,
exalando em
minha mente
fragmentos de esperança.