| Meiotom - CONCURSO - RESULTADO |
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2008 |
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1º lugar
– Poesia Falada – Infantil
Laura Ximenes Macedo
Casimiro de Abreu – Rio de
Janeiro
MINHA INFÂNCIA
Infância não é
bobagem
Ser criança é ser feliz
Criança não só brinca
Criança também
tem compromissos
Mas não como um adulto
Adultos
trabalham
Crianças brincam
E se você é uma criança
Corra e vá
brincar
Porque um dia
Isso tudo vai acabar
Leve a sério sua
infância
Ela é a melhor parte da vida
Brinque bastante
Corra
bastante
Você é livre!
O tempo pode passar
rápido
Mas por um bom motivo:
Você vai estar se divertindo
Se você tem onze, doze
anos,
Corra enquanto há tempo
Seja livre!
1º lugar – Poesia
Falada – Juvenil
Brígida Rodrigues Coelho
Minas Gerais
O BARULHO DAS ONDAS DO MAR
Quando olho para o
mar
Sinto paz, sinto calma.
Pois ouço a música
Das ondas do
mar.
Muita força, muita
força,
Muito poder, muito poder,
Meu reflexo quero ver,
Nos muitos
pássaros que
Sucessivamente tomam forma
E... de repente despencam
Como
água de cachoeira
No barulho contra as pedras.
Shuuuuuuum...
Com o
barulho do sopro do vento...
Com as águas contra as pedras...
Uma sinfonia
brava e calma ao mesmo tempo...
Soam em meus ouvidos.
Quando olho para o
mar
Mais ouço do que vejo.
Confio em meus ouvidos
E no barulho das
águas do mar,
Que junto ao vento me trazem a sensação de lá estar.
E é assim quando olho para o
mar,
Os pássaros tomam forma
E junto com eles eu irei,
Contra as
pedras
Com muita força, muito poder
E com o vento que trás o som de toda a
mistura
Do barulho das ondas do mar.
1º lugar – Poesia
Falada – Adulto
Éder Rodrigues
Belo Horizonte - Minas
Gerais
ÚLTIMO ANDAR
Destrancou a porta e quase
resistiu
ao universo que adormecia lá dentro.
Já conhecia tudo: a velha
disposição das coisas,
a ordem imóvel de sempre estar.
Cada qual no seu
devido canto,
Como se fosse improvável ultrapassar os fins.
Existia poeira.
Prova
visível de que o tempo não esquece,
o que inerte, ainda vive.
Estava lá,
por sobre os móveis,
vestindo a madeira, embaçando o lustre.
Nada além do
fino pó que recobre os vãos.
Entrou, apesar dos
esforços.
Era ainda sua vasta casa.
Talvez deserta por sua
imensidão.
Nem acendeu a luz.
Solidão não precisa de luminosidade.
O
escuro basta para sua ardência.
Caminhou sem rastros, sem
cirandas.
Engoliu o amargo das horas que
reduz as alegrias em rápidos
giros.
Nas gavetas, breves
anotações esquecidas.
A cama exposta aguardava-o como escoro, e ele
sabia.
Frases soltas, silêncios contínuos ousavam ultrapassar
os ares, em
viço de vidas próximas que ele não ouvia.
Poucos os motivos. Sedentas as
intenções.
Sabia de amores que não
resistiram ao ópio
e de amigos que não sobreviveram às curvas.
Era ele.
Novamente ele.
Habitando o canto sozinho do próprio corpo.
E nada a
oferecer resistência. Nada a lhe provocar
o choro ou lhe refazer
sorrisos.
Era o nº 802 do corredor vazio que nunca recebia flores.
Batidas
na porta? Apenas quando era engano.
Cartas surpreendendo o chão? Só as que
ele mesmo enviava.
(Nada a agredir o seu silêncio).
Apenas o morno do
asfalto que lhe fartava o peito
e lhe fazia viver como cidade.
Cedeu então mais alguns
passos e
da janela sentiu as alturas em lágrimas de arranha-céu.
Poderia
dizer qualquer coisa se
Deus não se dissipasse em forma de ecos.
: fechou então os olhos e pulou.
1º lugar – Poesia
Escrita – Infantil
Débora Macedo
Casimiro de Abreu – Rio de
Janeiro
MENINA FELIZ
Sou uma criança feliz
E
gosto de viver a vida
Moro numa bela cidade
Minha cidade
querida
Levanto ao amanhecer
E
saio a passear
Para ver a beleza dos pássaros
E a borboleta
voar
Criança feliz que sou, adoro isto fazer
Amando a natureza
Eu quero
sempre viver
E quando termina o dia
Eu
quero para casa voltar
Olhando o sol se pondo
Esperando a noite
chegar
As estrelas aparecem no
céu
Enfeitando o lindo luar
Para quando eu for dormir
Com coisas belas
sonhar
Sou esta menina
feliz
Como flores na primavera
Na minha cidade querida
Bem rodeada de
serra
A minha é boa e cheio de raio de luz
Graças a minha família
E meu
amado Jesus.
1º lugar – Poesia
Escrita – Juvenil
Bruno Lopez Molinero Gomes
São Paulo
MARCELA, 43, CASADA
Matei, sim senhor
porque
quis
não, até que ele era bonzinho
na gaveta da cozinha. uma daquelas
grandes, sabe?
Isso, ele tava no sofá
de costas
não, não me viu
dei
dois passos e a lâmina escorregou para a cabeça dele
não tirei porque
mancharia ainda mais o tapete
ora, se sabe por que pergunta?
Desculpe.
Sim, o corpo ficou lá
depois saí
mansão. Era muito rico
não. Deixou
tudo pras meninas
eu sabia, sim senhor
porque quis, já disse
cansei de
subir em pau de sebo. Deslizar fácil não tem graça
sim, senhor. Mas vou ficar
muito tempo?
É que deixei a panela no fogo.
1º lugar – Poesia
Escrita – Adulto
Adilson Araújo
Casimiro de Abreu – Rio de Janeiro
SUSPIROS
A poesia é como a gélida
gota de orvalho
Que desce na aurora,
Desliza suave e acaricia a
pétala
Solitária das flores,
Enclausuradas nos vasos
De janelas
adormecidas...
Quando adentra a tez
floral,
Ela transborda em sonhos
E faz despertar
os suspiros ocultos da
madrugada.
Como o tênue raminho do
trigo
A poesia compõe ninhos
Tão emaranhados
Quanto os
pensamentos
Dos casais enluarados de paixão.
Ela é torrente
incessante
A levar, no leito do rio,
A pedra atirada por um
jovem
Enquanto tecia planos
Do mais imortal dos amores.
A poesia, como a dança das
águas,
Renova-se a cada olhar,
A cada inspirar
Alimentando a roda
viva
Que gira,
A ranger,
Presa aos pesados fios do medo...
A poesia é portal de
arco-íris
Por onde somente os pássaros noturnos
Conseguem penetrar.
È a
linha delicada a sustentar
o horizonte amargo do ocaso.
O suspiro que
antecede
o primeiro beijo
numa doce tarde da infância.
A poesia, por si só,
É a
vida que se faz verbo,
O desejo que se vê palavra,
A realização que
transmuta versos,
A solidão que se diz saudade,
O silencio a dizer o
nada...