Meiotom - crônica


   

samuel costa


 

Construindo diálogos possíveis
 
Mais que de repente me assusto na incerteza que a língua que falo/escrevo tem haver com o mundo que vivo? Já não sei! Pois moro no sul do Brasil e falo/penso português brasileiro com um leve sotaque açoriano. Em uma cidade litorânea catarinense, aonde indivíduos vindos do além mar há muito revolveram por aqui aportar bem perto do mar. Mas isto já não interessa mais. Estou em um mundo globalizado/ informatizado e já não seu mais quem realmente sou e minha realidade local já não me satisfaz mais. Eu penso que nunca satisfez, pelo fato de ser afro-descendente e com o eterno/interno estigma de também ser marginalizado por anos de escravidão. Talvez isto justifique certas coisas! Mas isto também não basta! Penso que nada basta neste mundo agora tão pequeno e fulgas. Mundo artificial diluído nas telas de computadores, um mundo perdido na auto-estrada pavimenta por fibras ópticas! Quem sou neste dito mundo luso? Mundo que fala/escreve português. Ambiente que vive português multicolorido, pois se banhou em outras culturas! Onde estão meus irmão e irmã que falam/escrevem a mesma língua?
Samuel Congo da Costa é cronista negro na cidade de Itajaí, sul do Brasil. Contato: samueldeitajai@ yahoo.com. br