Meiotom - poesia


   

samuel costa

 


 

Não tão negro assim...
‘’Sou negro
meus avós foram queimados pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs". Solano Trindade 
 
Para não escutar os tambores
Quando nasce
Não tão negro assim...
Para ocupar os espaços que me foi negado
Não tão negro assim
Para ser parado pela polícia
Não tão negro assim...
Para ser o primeiro nos fronte de batalha
Na lide do campo...
Não tão negro assim...
Para ver meus filhos passarem fome
Enquanto alguns se banqueteiam na casa grande
Não tão negro assim...
Para ser massa de manobra nas mãos de um político qualquer...
Não tão negro assim!
Para que duvides da minha capacidade
Não tão negro assim...
Para ocupar cargos de destaque!
Não tão negro assim...
Para ser os pés e os braços das fabricas
Não tão negro assim...
Para ocupar as favelas...
Não tão negro assim...
E rebolar ao som do funk
Não tão negro assim...
Para construir casas
E ocupar o topo do analfabetismo
Não tão negro assim...
Para viver pelos cantos escondido
Sentindo pena de mim mesmo
Por ser o melhor no futebol
No samba...
Não tão negro assim...
Para que cultuar meus deuses escondidos...
Não tão negro assim...
Para ouvir hipócritas fingirem que gosta de mim
Não tão negro assim...
Para me tolerarem em certos ambientes
Não tão negro assim...
Para andar uniformizado
A cumprir ordem...
Não tão negro assim...
Para querer um mundo melhor para todos!
Samuel Congo da Costa é poeta negro e Itajaí, Santa Catarina.