Não tão negro
assim...
‘’Sou
negro
meus avós foram queimados pelo sol da
África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs". Solano Trindade
Para
não escutar os tambores
Quando
nasce
Não
tão negro assim...
Para
ocupar os espaços que me foi negado
Não
tão negro assim
Para
ser parado pela polícia
Não
tão negro assim...
Para
ser o primeiro nos fronte de batalha
Na
lide do campo...
Não
tão negro assim...
Para
ver meus filhos passarem fome
Enquanto
alguns se banqueteiam na casa grande
Não
tão negro assim...
Para
ser massa de manobra nas mãos de um político qualquer...
Não
tão negro assim!
Para
que duvides da minha capacidade
Não
tão negro assim...
Para
ocupar cargos de destaque!
Não
tão negro assim...
Para
ser os pés e os braços das fabricas
Não
tão negro assim...
Para
ocupar as favelas...
Não
tão negro assim...
E
rebolar ao som do funk
Não
tão negro assim...
Para
construir casas
E
ocupar o topo do analfabetismo
Não
tão negro assim...
Para
viver pelos cantos escondido
Sentindo
pena de mim mesmo
Por
ser o melhor no futebol
No
samba...
Não
tão negro assim...
Para
que cultuar meus deuses escondidos...
Não
tão negro assim...
Para
ouvir hipócritas fingirem que gosta de mim
Não
tão negro assim...
Para
me tolerarem em certos ambientes
Não
tão negro assim...
Para
andar uniformizado
A
cumprir ordem...
Não
tão negro assim...
Para
querer um mundo melhor para todos!
Samuel Congo da Costa é poeta
negro e Itajaí, Santa Catarina.