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luis seguilha

 OS IMPULSOS DA FERTILIZAÇÃO OBSCURA-INCANDESCENTE

 AS ABERTURAS PRIMORDIAIS DA MATÉRIA VERBAL-POÉTICA 

  

O poeta transforma a vida no subsolo da metamorfose caótica, nos centros iluminadores da palavra absoluta, na violenta intemporalidade da nidação de Urano-Saturno, nos meridianos das combustões-reconstruções terrestres, na expansão instintiva do conhecimento profundo do ser, na infinidade criativa-imaginal. O poeta reconstitui-se na claridade dos chamamentos genésicos e na dor labirintica que o encaminha para o Uno com as impulsões da incorruptibilidade da essência.

O poeta mergulha nas fecundações hipnóticas, na sonoridade da verdade, no simulacro do universo, absorvendo e expandindo as energias instauraradoras das transmutações rítmicas que recriam os fulgores das inflorescências, os cânticos do coração do mundo, as magias na profundidade da existência, a espontaneidade da raiz xamânica, a matéria das composições secretas, vivas.

A criação do mundo entrega-se aos magnetismos das moradas e das aberturas flamejantes-sismológicas do poema:_________a reconciliação das linguas edénicas   vibra no reencontro com a assombração descomunal da terra. 

Os conflitos do poeta explodem na perpetuidade das palavras, na identidade originária e regressam às vozes, às antecâmaras das culminâncias primordiais-arqueológicas abrindo as atmosferas da existência absoluta onde o nomadismo das palavras vasculariza as cristalografias do deserto, os pulsares do inconsciente, as multiplicidades dos organismos.

A poesia projecta-se na tremulação indivisível, nas transfigurações perceptivas-excitatórias, no desdobramento do imperceptível, na alteridade enigmática para procurar as epifanias infinitas da linguagem, as galáxias silenciosas, as interioridades indomáveis, as visões transcendentais como uma eclosão de hibernações do lugar-da-violência-e-do-grito entre as artérias do inexplicável, as intersecções das sugestibilidades e das pulverizações do desejo.

 

O Poeta povoa a grandeza pulsional do deserto, das mitologias, da violência intra-trans-corporal com a erotização-reencarnação da linguagem cósmica onde a elementariedade dos espelhos nativos ritualiza as vozes genésicas do mundo-outro como a  polifonia das clareiras da liberdade criadora a mergulhar no absurdo incandescente do cosmos. A poesia acrisola-se na efusão órfica das atmosferas sagradas, secretas, panteístas procurando o ritmo simultâneo das luminosidades, das obscuridades, dos desnudamentos emancipatórios. O poeta funde-se abismadamente na olaria do deserto , do exílio, das espécies das lunações.

 

As sensorialidades arborescem na levitação-visualidade da linguagem primitiva, na integridade dos batimentos do espaço estranho, nos ecos elípticos das fracturas desconhecidas, nas transumâncias aborigenes. O poema penetra na regressão incomensurável do ser  para se conciliar com as manifestações hieroglíficas do universo. O poeta procura a área primordial da metamorfose para se unir ao cântico transmissor do livro da Natureza. A poesia reconstitui-se na língua anterior ao conhecimento e esculpe as suas sismologias-tapeçarias no mundo-outro como uma partilha do desassossego, uma  sanguinidade do poema-poeta-poesia-liberdade na exploração mutual do enigma, na germinalidade do deserto, na actualização do silabário elementar da harmonia e da vertigem fertilizadora-sacralizadora do olhar-perdido-do(no)-mundo.

 

O poeta alucina-se na cisão do vazio, na circularidade dos deuses desconhecidos, no silêncio da pulsação universal porque escuta a linguagem solitária, indecifrável da ancianidade, dos cânticos translatórios da formação, da desocultação do mundo. A perspectiva medular da palavra antropoformiza-se no anélito jazzístico da metáfora onde os cruzamentos dos ecrãs nutritivos da transcendência, as matrizes dos contrastes simultâneos identificam o recolhimento uterino-febril da instantaneidade cósmica como o regresso às origens dos magmas-idiomáticos. Estas reaparições da (im)possibilidade entranham-se nos questionamentos eternos da corporalidade do poeta que se entrega à cerâmica mutante-astral da palavra, à profundidade do invisível, ao diálogo da turbulência visionária, à espontaneidade do tempo-espaço,  à probabilidade de se transformar na ritmicidade do mundo-outro onde os itinerários dos homens e dos deuses se entreluzam como um grito puramente iniciático.

 

A infra-sombra ritmica-energética da poesia purifica-se no alfabeto das origens da criação do mundo interrogando o próprio ser-poeta nas forças violentas-vertiginosas-sanguineas-plurivocálicas-metonímicas que vêm do corpo, das evasões vulvares da palavra, das encarnações sismicas. A insubmissão das metamorfoses atravessam os ecos das casas paleontológicas-sígnicas do poeta:______________centro explosivo-vegetal-sideral-humano na sabedoria da encruzilhada da heterogeneidade, nas policromias polimórficas-crepusculares, nas fendas polinizadoras-dilemáticas, nos vestígios hemisféricos da linguagem, na conflagração astrológica-corporal, nos espaços cénicos do relâmpago idiomático, na incandescência do ancestralismo-espiritualidade como um dizer profético, dramático, fecundador da cosmovisão e da infinitude da dor existencial que se assemelha às epifanias do desastre, da regeneração das analogias, da autenticidade do outro onde se iniciam as ruínas resplandecentes-aduptoras-abduptoras do idioma.

 

O poeta presentifica o corpo da natureza nas palavras dos desmembramentos, dos mónadas perdidos, da fractalização da reconquista das origens, da homeostasia da espiralidade, da imaginação-composição do absurdo, das instabilidades existênciais, da espécie cosmogónica até ao descobrimento da biblioteca paradisíaca-melismática onde as arenas labirínticas-libertadoras-plasticizadoras da arqueologia, da geologia, da petrologia, da dança, da germinação imprevista, das catástrofes elementares-excêntricas-reconstrutoras transmutam rizomaticamente o esplendor das origens até à alteridade, à mutação eruptiva-indecifrável-incontaminada do ser. Aqui recomeça a reciprocidade do genoma-ourobórico do eu-outro como uma dramatização salvífica-sinestésica, nas defrontações epistemológicas-pluricelulares no templo espiritual, imaginário, absoluto da parábola, da vertigem catártica, do silêncio das efígies, dos simulacros hemisféricos-centrais do devir, da feminilidade arrebatadora-reneneradora da Natureza. 

A pulsionalidade da palavra circula no centro da matéria, nas tonalidades cósmicas, nas transfusões dos magmas secretos, para celebrar a catarse resplandecente, a reconquista sacralizadora das origens como o alfabeto da interioridade primordial a fundir-se e a regenerar-se nas correspondências edénicas onde o poema liberta a energia primitiva, as combustões das polaridades, a atmosfera orgânica-virginal, a linguagem dos acostamentos paradisíacos, a ambiguidade do deserto erótico-meteórico-musical e integrador da visão do absoluto. Esta incorporação de diálogos prestigitadores hibridiza-se na dramatização transformadora do mundo onde o eu-outro-e-a-arte reinauguram o simulacro-do-simulacro como a iluminação do impossível diante das infravisualidades, transculturalidades dos deuses.

 

A poesia procria, deflagra nas teias das incubações, nas imersões violentas da árvore do corpo, no desapossamento, na ciclicidade subversiva , na eclosão dos espelhos, nas tonalidades atómicas:_________a indizibilidade regressa ao  Uno, à exaltação do mundo, à epistemologia da nave espiritual como a magia da metamorfose da palavra institual sobre as perspectivas rupturais do ser.

O  poeta fecunda-se na plenitude dos movimentos regressivos, na dança do mundo estruturando nas suas pulsões as ancoragens da vida e da morte como o êxtase da sagrada linguagem nas profundezas silenciosas da alquimia pré-babélica.

O poema está na ética da recuperação da unidade perdida, na instantaneidade abismática, nas (des)montagens das origens ocultas, na estranheza apocalíptica, nas receptividades sísmicas-sinestésicas onde a aventura metafórica se fragmenta e se une nas miragens das ascendências:___________ abertura absoluta da criação impoluta da luz, da essência indefinível reconciliadora do ser-na-dissimulação, na refundição selvagem, pura, herética como os engolfamentos abíssicos do animal-vegetal-terrestre-empíreo a oscilarem na mitologia de um mundo imaginável que unifica o tempo e o espaço com a respiração do verbo, do silêncio do abismo-do-devir, do exílio dialéctico, do mundo indeterminado onde as arqueologias-uterinas, as danças alucinantes-afrodisíacas , as irrupções das fábulas incorporam a reflexão, o conhecimento afectivo-espontâneo, as energias das profundezas, a soberana nudez, a unidade dos embates-sígnicos, na cauterização do imaginário, na epifania cósmica, na transcendência depuradora das palavras, na luminescência do desvario, na diversidade migratória-acolhedora da linguagem.  

 

O animal da visão poética, da transmigração imaginária inaugura a metamorfose, as emboscadas da inexistência, os paroxismos heterogéneos, a plenitude das desobediências, a densidade hieroglífica e indetermina a visceralidade das suas lunações porque absorve os estremecimentos da afectividade, o sol-aberto-na-pedra, as transposições do clandestino, os engenhos estranhos, as impetuosidades selvagens, o desvairamento informulável das palavras:__________as desocultações e o renascimento do ser recuperam os magnetismos, as transcendências do mundo:________ o corpo e os signos entram na circulação do mistério restituindo as memórias multidimensionais, as permutações das fogosidades , as mónadas, a hiemação das configurações vivas, as fantasmagorias, a especiosidade antropofágica até ao confronto das imersões do nada, à fusão da obscuridade/luminescência, materialidade/espiritualidade, consciência/desconhecido:__________________ arborizações/vivacidades do sentido, do não sentido, dos genomas e da indizibilidade na disposição/interrogação do mundo.

 

O poeta estende e intercepciona o seu ser nas circunvalações da iluminação, da obscuridade criando a voltagem das metalurgias do imaginário entre a volubilidade das energias e as submersões das perspectivas reconciliatórias do conhecimento afectivo, da pulsão infinita do vazio, das profundezas do inconsciente, dos firmamentos da palavra, da espiritualização da Natureza:_____________ reconquista do ser na incomensurabilidade construtora da linguagem, da lingua-do-mundo, do regresso à elementariedade humana, à libertação criadora do poema-do-cosmos:_______ as palavras enfrentam a indeterminação, a expansão instintiva, a mineralogia do infinito respirando o desejo das fusões do nada, da ebulição dos labirintos, das raízes-da-vida.

O poeta  simboliza os batimentos da assolação, a libertação da mutabilidade corporal, as profusões da excepcionalidade, a perplexidade da desertificação, o transcendentalismo idiomático porque é um devorador do fogo, da efervescência dos signos insondáveis.

O poeta defronta o enraizamento da destruição, o templo do desabrochamento para recolher o lugar-nenhum , a cavalgadura da incerteza, o dédalo da incógnita, a espectral-felídea ausência, as congeminações instintivas do mundo-outro.

 

Os olhos alucinados do poeta interseccionam-se nos ritmos transmutadores de Saturno , na reinauguração da metamorfose de Zeus:_________as multiplicidades do corpo-poema extravasam-desmontam-rearquitectam as polissemias, as translações vocabulares, os rituais nómadas e aprofundam as armadilhas da luz nos abismos ininterruptos onde se encontram as subducções da invenção, os regressos ao desmesurado da gestação obscura,  ao caos antecipador da vida, à espiral obstinada do não-sentido, à extensão absoluta da atmosfera astral-sígnica:________respiração do desejo-contagiante a depurar a violentação das fendas, a reabilitar as alucinações-rupturas dos perpétuos renascimentos na lava-osgiástica, na transmigração imaginária, nas fragmentações-unificações renovadoras do corpo como a eclosão do silêncio na rebeldia das metempsicoses, nas auscultações do desvairamento, nas disposições idiomáticas ancestrais, no lugar verdadeiro, na vida verdadeira, na integridade da existência :____raiz antropofágica-libidinal-fundente-polinizadora da unidade, da consagração original.

A palavra dinamita-se na própria antecipação, no transe da autofagia, na percepção autónoma, na orfandade, na arquitectura do mundo devaneador, na heterogeneidade-ambivalência, na sombra-que-abre-a-sombra, nas géneses da dimensão ciclónica do eu-outro.

 

O poema reactualiza a sua origem violenta na dramaticidade da adivinhação, nas vivificações dos andamentos utópicos:______ lugar explosivo da metáfora, do cântico-prestidigitador, da perspectivação-emotividade, da essência libertadora, da conflagração das coreografias,  das síncopes fortificantes , da espacialização indefinível que alimenta  a obscuridade da poemática, o silêncio visceral do enigma, as rotas subvertedoras da enfabulação.

 

A visão-outra infigurável , reconciliatória da poesia seduz as espécies xamânicas, as plasticidades mágicas-fractálicas, as ascendências oníricas, as vertigens plurivocálicas, as celebrações uterinas que absorvem o sublime da intercorporalidade da palavra  para abrigar o vórtice do grito, a instantaneidade do abismo:_______ a poesia mergulha na resplandecência do ritmo paleoxamânico-neoxamânico, nas transposições energéticas, na corporificação dos simulacros, no alvoroço do sentido como uma reconstrução de pulsões indefiníveis, apocalípticas e regeneradoras da subjectivação/hibridização translinguística, das visualidades cosmogónicas,  linfáticas, alquímicas, esfíngicas:________  mistério osmótico da linguagem a unificar a perscrutação selvática da resistência dos animais sonâmbulos, dos icebergues metamórficos que se entrecruzam nos mananciais da anterioridade do verbo:__________ substância oculta do mundo a alastrar a autonomia encantatória do ritual:_______________  consciência/sensorialidade/conhecimento fractalizador sobre os cânticos da fertilidade indomável dos elementos da Natureza.

 

 

A poesia é feita de vertigens cromossomáticas do abismo, de felinidades instantâneas, de silabários minerológicos, do nomadismo petrológico, das tapeçarias geográficas, do magnetismo celeste, da luminescência sacralizadora, das cerâmicas pulsionais, dos rituais encantatórios, das Katharsis iluminantes, das vibrações arteriais, da cauterização dos itinerários, das transmigrações guerreiras, da violência pura do ser entre a dança mágica do consciente e do inconsciente...,... :____________________ a metamorfose contínua é uma incerteza absoluta e antiquíssima resplandecendo no não-lugar, na pluripotência visionária, na heterónima tragicidade, no metabolismo do exílio, no equador das visageidades, dos interiores vulcânicos como a energia polifónica da tragédia, da libertação primitiva, da navegação cosmogónica, da profundidade existencial, das vozes das travessias, dos diálogos mitológicos-telúricos a reconquistar a voltagem do sentido dos ritmos eróticos-escafandristas-polivisionários-acústicos-cosmonautas-glandulares-milenares que se abrem ao mundo, à luminosidade tectónica, à simbologia hipnótica da terra-mãe. Energia salvífica da terra-mãe absorvendo a sincronização do tempo e do espaço como a substância descobridora do mundo-outro,  das cadências incubadoras da realidade-outra.

 

As navegações cósmicas da poesia são recriadas entre as embocaduras da luz, a sensualidade ilimitada dos espelhamentos, as regressões das catástrofes, os despenhadeiros das origens, a originalidade sémica, as profusões instintivas, os desdobramentos sensóreos, os sismos das essências, os abalos das fecundações, as rebentações informuláveis da sombra como uma abertura latente do mundo a resistir na ambivalência da existência humana:__________travessias magmáticas, isossísticas da intensa renovação verbal, da imersão inesgotável da linguagem, da solarização arborescente compositora do ser prismático e puro.

 

O POETA avança nas imprevisíveis transformações da realidade , nas altercações da sombra-luz , na violência pulsional do inexplicável, nas circunvoluções da memória instantânea e enigmática do poema-poeta:______________os fluxos relampagueantes da heterogeneidade espelham a sua incompletude, o grito do vazio, a língua aborígene, alieninega sobre a violência da força que vem da terra, da liberdade afectiva:________ espírito eléctrico a vascularizar o limite dos limites até à incorruptibilidade do interior do corpo-palavra que instaura as manifestações epifânicas, a autenticidade das raízes idiomáticas e constitui a forma regeneradora, jazzística do mundo.

 

A poesia fortalece a energia transmutadora, a expressão dos ecossistemas da não-evidência, da eclipse, a multiplicidade das perspectivas que interrogam a busca da unidade perdida. A raiz da vida  dinamiza a originalidade do poema desdobrando-o nos habitates da natureza, no estonteamento sensorial como a mutabilidade vertiginosa das palavras, os descentramentos da génese verbal do abismo,  a plenitude contínua na impulsão universal do poeta.

 

A renovação imagética é uma espécie de linfa unificadora-fascinadora-vaticinadora que dissemina nas profundezas da vida, nas sonoridades  da palavra-do-poeta:_______correnteza indeterminável, desequilibradora que procura  a sua analogia, o eco genesíaco no abismo da transformação essencial, no renascimento da autenticidade/verdade/subjectividade absoluta da criação poética:______ a consciência caótica do poeta substancializa o fluxo encantatório, a explosão do impenetrável na intimidade pura criando o sublime da aparição/desaparição da palavra, as descontinuidades porque antecipa a vida através das multiplicidades do corpo, das ebulições do labirinto, da voz-das-vozes do deserto, do silêncio do enigma, da violenta nidação da ausência, do exílio xamânico, da efusão e do acolhimento até à origem das participações misteriosas, do desconhecido, do invisível. Esta ascendência nativa do poema desabrocha na integridade excitadora do ser, no desassossego das interrogações do deserto, devorando-explorando as desterritorializações do fogo libidinal-idiomático para eclodir na focalidade da orfandade, na espiritualidade iniciática da reunificação do mundo, nas armadilhas perceptivas do poeta.

As radiações do poema expulsam as ideias explicativas, interpretativas, teoréticas porque os seus elementos regressam da pulsação do delírio, do não-lugar, das bibliotecas visionárias, da fertilização originária, do vazio relampejante, das ascendências mágicas-alquimicas, da espontaneidade da fecundação da matéria, da solidão antropofágica, dos rituais secretos da linguagem:_________a imaginação e a assombração do invisível expandem a utopia das constelações metafóricas que acrescentam ao poema a fundação prismática do lugar, da unidade dramática:________ os abalos do inconsciente atingem o astro da subjectividade, da imprevisibilidade que une o firmamento, a alucinação da palavra e o subsolo .

 

O poema deriva da substância do mundo, da transfusão heterogénea, das interacções-interpenetrações libertárias, da agramaticalidade vibradora, do dinamite da animalidade,  da singularidade polinizadora,  dos despenhadeiros ininvestigáveis, das interacções cósmicas-míticas, da implosão das abaladuras das progressões indefinidas:_________________a corporeidade nocturna/luminosa, concêntrica/expansiva surge nos hinos primitivos do mundo, na origem afectiva da excepcionalidade do ser que fulgura o movimento unificador da interioridade/exterioridade: _____o poeta recombina a matéria das imersões, as luminescências do abismo, os territórios clandestinos entre o consciente e o inconsciente como a louca circularidade da escrita na imperscrutável espontaneidade.

 

A poesia caminha para o outro-abissal da nossa interioridade libertando os ritmos inesperados na sombra concêntrica, astral que alça o exílio, a consciência da catástrofe, a morfologia tectónica da linfa-verbal:_____________ animal de arquitecturas sígnicas espiraladas emaranhando o real e o imaginário com a metamorfose central, afectiva da linguagem poética. A criação poética abre-se às múltiplas travessias do outro com o cântico da imersão humana:___________________ a futuração sensorial reintegra-se no impossível para o transformar na exaltação da probabilidade:________ a contaminação luminosa/obscura do poeta expande-se nas suas lutas interiores:_____________as ressonâncias da origem explodem como uma arte da memória.

 

O ser é uma ruptura encantatória, uma origem cósmica, o profundo aluimento-verbal, a linguagem incandescente, elementar, um lance-do-absoluto a comunicar com a força-eléctrica do outro ecossistema-profético-infinito:_________a indeterminação reinaugura o lugar do exílio, a cratera do poema em  harmonia com os ritmos, as danças astrais:_______sangue a unificar o corpo do poema , o corpo humano, o corpo verbal, o corpo cósmico.

 

O poeta imerge da obscuridade, da invisibilidade para atingir a alquimia da origem, da eclosão transgressiva do organismo institual:_____________caos do corpo-poema no centro anterior à palavra:___________a confabulação convulsiva, a vivacidade secreta das impulsões duplica-se nas vozes doutros corpos como as tonalidades devoradoras de fogo que identificam os gritos-meteóricos que trespassam o poema :___________espelhos da voz inominável entre a imaginação e a visceralidade/vascularidade da sublimação:______o simulacro violento da palavra destrói a significabilidade como uma visão absoluta da capacidade efabuladora que busca a espontaneidade, a espiritualidade nos primórdios da vida:____________região-unidade perdida-obscura da vida dos seres em contacto com a fertilidade e a homenagem da terra:___________________os cânticos, os rituais escrevem o poema com a própria intimidade orgánica. A solidão reordena a catástrofe no corpo-poema:__________ magias, segredos a dinamizarem a  luz do corpo. O corpo no não-lugar, na incandescência dos profetas-poetas que tocam na secreta vida dos seres com a vida da própria raiz do poema e o simulacro harmoniza os movimentos cósmicos-cosmogónicos:_______os cânticos-Oikos e da alucinação da vida transcendem o movimento dos organismos na sua infinita regeneração poética. O poeta cria o poema que o constrói numa aventura do caos harmonioso:_______________ dança ontológica-sacral sobre-infra o outro-ser-no-mundo, o outro-ser-na-realidade-outra:_______recriação da materialidade/espiritualidade primitiva, espontânea da linguagem-transpessoal que vai para além da iluminação astral.

 

O poeta caminha para a heterogeneidade, para a força eléctrica da vida desvendando os magnetismos do nada, fecundando a prismatização da intemporalidade como um corpo resistente ininterpretável. O poeta germina no limite-dos-imites para transformar a existência entre as fusões dos desertos, dos exílios:______unificação da subjectividade absoluta do exterior com as encruzilhadas da interrogação do interior.

 

O  poema fecunda o informulável do universo com as explosões rítmicas, plurissifignicativas, plurissigicas. O mapa cósmico revela a transposição imaginária, a revolução do nada, o desejo-transe da transformação, os corações silenciadores do fogo, a integridade primordial, os espelhos sacralizadores das línguas, a unidade nativa, o estranhamento das palavras. Os Poemas interrogam as imagens infinitas-devoradoras de energia-petrológica com os movimentos mágicos do livro cósmico:_________geografia dos fluxos do invisível, do desassossego poético aliado aos mistérios da natureza, ao poema antropofágico que agita e explora a matéria da luz, da sombra, do espaço, do tempo, da gestação ardente do poeta. O poema perfura, abre o seu corpo para ser devorado pelo coração do mundo, pela origem indeterminável das palavras, pela centralização suprema da impossibilidade:_______________ a dança das palavras é imprevisível, transgredindo todos os limites na sua anárquica sacralidade, no seu instante incandescente-purificador como a interrogação absoluta, a louca heterogeneidade a fundirem-se na vida latente, nas direcções ocultas do cosmos-corpo.

 

A poesia está na imersão insondável-caótica dos signos, na assombração encantatória, na confabulação do cosmos,na incomensurabilidade, na transcendência dos sentidos, na busca da espiritualização perdida, na absoluta liberdade, na fulguração dos silêncios, no cântico da dor terrestre. O poeta dos sentidos dispersos navega na fusão nutritiva da interioridade-exterioridade, na matéria sagrada-violenta-orgánica-erótica da natureza  para  recriar, metamorfosear a impossibilidade, a indefinição, a liberdade regeneradora, ressuscitadora do mundo. O poema é antropofágico, selvático ao esculpir o poeta sem delimitações como a estonteante transmutação do firmamento, da invenção terrestre entre o conhecimento, o desconhecido, a materialidade, a espiritualidade do mundo:_____eis a autonomia pura do relâmpago-da-palavra

 

O poema explode entre o ser e o real como um icebergue de parábolas, de fulgurações biológicas-astrais a inaugurar a  ambivalência da realidade humana, a variabilidade perceptiva,  a exaltação da perplexidade, a infinitude que restitui o espaço intimo do abismo da presença, da ausência. A poesia projecta a sua emancipação no silêncio, na excepcionalidade magnética que encadeia a presença viva do desejo, dos fragmentos  propulsores da ofuscação, da instabilidade, dos rasgos originários, dos devaneios das novas existências:______________ o nada impulsiona a sua inflorescência na combustão alquímica para transferir a perscrutação do mistério, as figurações inesperadas no universo. Esta permutação da materialidade rizomática, dos poemas-constelações, regenera o êxtase da intemporalidade, o desassossego, a metamorfose simultânea do tempo e do espaço.

 

A poesia proporciona a transformação crepuscular Saturnina, os espelhos da vida, o indizível, a respiração do desejo da não interpretação. Aqui o poema procura a voz do silêncio, a  palavra da unidade originária do ser, do centro do nada, da verdade primordial:____________a impossibilidade retorna ao diálogo com as vozes expansivas da terra .

 

A LINGUAGEM infloresce na imagem infinita, imagética libertando a POESIA ao desvendar as devastações do segredo do universo, a imaginação da vida, a pulsação infinita do não sentido, do indeterminado:_______ substância verbal no sublime das  encruzilhadas do invisível, ultrapassando todas as significações e revelando através da violência, da imersão, da gestação, da sensorialidade do corpo, o informulável, a obscuridade, a desorientação, a transgressão, as fusões imaginárias, a descoberta do mundo, da vida orgánica-cósmica.

 

O poeta sente o impulso concêntrico, germinativo ao transpor imaginariamente  a alteridade da matéria ou o trama da heterogeneidade para transgredir todos os limites com o impulsionamento extremo, radical do inconsciente, não aceitando qualquer tipo de teorias porque o seu habitat é a indeterminação, a violência ígnea, afectiva da palavra que nos transporta para a encantatória intensidade elementar das primeiras energias fecundadoras da louca circularidade/interioridade/exterioridade do mundo.

       

O poeta manifesta a sua origem na cegueira, no desassosego da luz que é  projectada na metamorfose polimórfica-vibratória  regenerando os ecrãs da reciprocidade do animal-poema com o movimento da imersão fulgurante como a génese da recomposição do abismo a centralizar-se na profundidade, na exteriorização da descoberta absoluta do mundo. O desabrochamento central do poema caminha entre as espirais devastadoras, transformadoras da linguagem e o primitivo silencio da peregrinação do desconhecido.

 

A poesia celebra a origem, as configurações ilimitadas da palavra no corpo multidireccional da aventura ontológica:___________a invenção livre participa no sítio misterioso, no espaço intrínseco da constelação-de-signos-do-abismo e das  focalizações do simulacro:________o poema reencontra a matéria vertiginosa, institual no olhar permanentemente insubmisso da palavra que se abre à essência da dramatização, da transgressão do mundo:_______uma cavalgadura de irradiações inexplicáveis, inenarráveis, libertando, unificando os delírios da exterioridade, da interioridade como as correspondências placentárias-inimitáveis do cosmos a revelarem as alucinações plasticizantes, inexploráveis do ser humano.

 

A visão-outra do poeta emancipa-se no silêncio, liberta-se no conhecimento caótico, no anticonvencionalismo porque é selvagem, não aceita interpretações ou qualquer tipo de determinações sociais, políticas, religiosas porque a efervescência da sua linfa-linguagem é única e sagrada ao elevar, aprofundar a regeneração/purificação pristina do mundo, sacralizando-a como um mosaico-corpo não-efémero, formador de vertiginosos rizomas, de disseminações vulcânicas . Este corpo-caminhador comunica, transmite na tentativa de desvendar a esfinge que bate na palavra e metamorfoseia os ecos do mundo no sublime infinito da criação, construindo a imperfeição contínua do poeta ao projectá-lo, recolhê-lo nas energias resplandecentes das fossilizações, das visões utópicas, das transumâncias astrais, do epicentro das erotizações, das alteridades pré-babélicas, das respirações das ruínas, dos relâmpagos das esfínges, das fundições dos ritmos da violência pulsional   :______ regeneração dos utensílios da autonomia, das extracções dos enigmas do ser que se reconstrói ao ressuscitar a impenetrável linguagem da ausência-presença, dos territórios do fôlego do desejo entre a faiscação indomável da catástrofe, da recuperação do idioma nativo .

 

QUANDO há poema, o poeta está ausente porque se projecta no deus desconhecido, na sacralização do insondado, nas ressonâncias demiúrgicas, no escorpião das ambivalências, nos cursores do Uno, nas síncopes telúricas, nas alavancas caológicas-meteóricas, no dínamo mitológico, nas fulgurações perceptivas-pré-semiológicas.

Quando há poema as visões gnósticas, a sublimidade, a latência do simulacro surgem no relâmpago da originalidade imutável:______ as luzes e as sombras das palavras atingem o absoluto , o paradigma da intemporalidade, a estremeção do segredo insubstituível.