Meiotom - Crônicas


 

DEKASSEGUIS: Melancolia

Paschoalina Shimoda

MELANCOLIA

Domingo, dia bom... descanso... mas talvez o pior dia, só melancolia tristeza saudade solidão e talvez até medo... medo por outra semana que chega e tenho que enfrentar, semana dura de trabalho.

Domingo passo bem até a tarde quando meu marido e meu filho têm que descansar, a jornada deles começa no domingo à noite, entram meia-noite e saem ao meio-dia, todos os dias seis dias da semana.

Quando vão dormir começa meu martírio, procuro incessantemente o que fazer, mas é só tristeza e solidão. Não tenho com quem conversar, só comigo mesma. Aí vem mais saudade, mais ansiedade, fico vivendo a volta, um aperto no coração por este tempo que ainda falta para estarmos aqui, uma vontade louca de fazer o tempo passar rápido, mas não adianta, são só lágrimas que descem sem perceber. Fica a angústia do tempo que não voltará mais quando regressar à minha Terra.

Agora a ansiedade, hoje falamos da possibilidade de irmos ao Brasil, matar a saudade, mas sei que a volta será pior ainda, muitas pessoas já comentaram comigo que a volta é mais triste pois já sabemos o que vamos encontrar por aqui. Não consigo entender pessoas que dizem não mais querer voltar ao Brasil, mas acho que 90% delas não conseguiram seus objetivos e talvez por isso o orgulho não permite que voltem quando se vive aqui uma vida mais ou menos igual ao dos japoneses, não se consegue guardar nada, principalmente quem tem filhos em idade escolar.

Às vezes penso como seria melhor contar o tempo aqui, um dia a mais ou um dia a menos... Mas acho que é melhor pensar que a cada dia vivido aqui é um dia a menos pra voltar. Às vezes tenho medo também por ouvir pessoas que dizem que depois de um certo tempo vivido aqui a readaptação no Brasil é difícil, pois o ritmo de vida que levamos é alucinado, parece que entra no sangue, todos os minutos são preciosos pois, além da jornada de trabalho, temos a casa para cuidar, e todos os minutos de descanso são preciosos pois o stress aqui acaba com a saudade de muita gente. Muita mesmo! Tem tanta história triste aqui que me deixa mais melancólica ainda, às vezes prefiro não ouvir.

Tenho medo de perder minha identidade, medo que meus filhos não se adaptem mais ao Brasil, pois, com a crise que o país passa, um tempo fora do mercado é fatal aí. Mas só o tempo me dará tantas respostas, tem um ditado sábio que diz que o ontem já passou, e o futuro a Deus pertence, que nosso só temos o hoje e é nisso que tento me agarrar para conseguir deixar a vida me levar.

Um beijo no coração.

 

Paschoalina Shimoda